Exames dão
em nada e
complicam
investigação
Assassinato de menor pode ficar insolúvel
Célia Baroni
O assassinato de Luiz Cesar Lourenço, de 11 anos, ocorrido em janeiro de 96 na mata do Jardim Paraíso, zona norte de Londrina, pode entrar na extensa lista dos chamados crimes insolúveis. O Instituto de Crimes Sexuais da Faculdade de Medicina de Mogi das Cruzes (SP) examinou amostras do material (fios de cabelos) encontrado nas roupas e corpo do menino, mas não pôde chegar a uma conclusão. Em laudo encaminhado nesta semana ao delegado do 5º Distrito Policial, Edson Casagrande, o instituto afirma que o material está deteriorado, impossibilitando a análise.
Esta é a segunda vez que a polícia encaminha material para o instituto paulista na tentativa de encontrar pistas que levem ao autor do crime. O delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial, Acácio Azevedo, encaminhou a primeira amostragem para o instituto ainda em janeiro de 96. O laudo ficou pronto em abril do mesmo ano, mas não levou a nada: o instituto argumentou que o material não estava em boas condições. Novas amostras foram encaminhadas a pedido do promotor da 1ª Vara Criminal, Janderson Yassaka, em dezembro de 97.
O delegado Casagrande explica que, agora, a única possibilidade para descobrir de quem são os fios de cabelo encontrados nas roupas e no corpo de Luiz Cesar Lourenço é enviar o material para os Estados Unidos. O instituto de Mogi das Cruzes informou que somente dois centros norte-americanos estão capacitados a conseguir chegar ao DNA a partir de materiais em estado avançado de decomposição. ‘‘Já foi difícil conseguir autorização para enviar a última amostragem para o instituto em São Paulo. Creio que a possibilidade de enviar as amostras para os Estados Unidos é remota.’’
Luiz Cesar Lourenço foi encontrado morto no dia 27 de janeiro de 96. Ele tinha saído para caçar passarinho e estava desaparecido havia três dias. Desde o início, o principal suspeito do crime foi o vigilante Jair Moreira, 41 anos, tio do garoto. Moreira foi visto por testemunhas nas proximidades da mata no dia do crime.
O corpo do menino foi encaminhado ao IML, mas o instituto apontou como indeterminada a causa de morte, alegando que o corpo estava em estado adiantado de decomposição. A pedido do promotor Celso Ribas e do juiz João Jaime Cassoli, que atuavam na 1ª Vara Criminal, os restos mortais foram exumados em março de 97 e analisados por peritos do IML do Distrito Federal. A conclusão foi de que Lourenço morreu estrangulado. Peritos do DF encontraram evidências externas (aprofundamento do pescoço) e internas (fraturas na base do crânio). Só não conseguiram saber se Luiz Cesar Lourenço foi vítima de violência sexual.
Sem provas e sem testemunhas, a polícia vai continuar dependendo do aparecimento de algum fato novo que leve a pistas sobre o caso. ‘‘Houve uma sequência de falhas no levantamento do local, fase mais importante em casos de crime contra a vida’’, afirma o delegado Casagrande. Ele acredita, porém, que o inquérito não será arquivado. O crime, diz, tem 20 anos para prescrever. ‘‘Até lá, nada impede que diante de qualquer nova informação as investigações sejam retomadas.’’ Passam de 30 os casos de crime contra a vida que continuam sem solução em Londrina.

mockup