Denúncias feitas por familiares de presos em Ponta Grossa, de que estariam pagando para obter laudos dos exames criminológicos dos detentos, levou o juiz Raul Portugal, que responde pela 2ª Vara Criminal, a proibir a realização desses testes na cidade. Para conseguir a liberdade condicional, agora os detentos terão que fazer os exames em Curitiba, no Complexo Médico Penal.
Segundo o juiz, com relação aos presos da 2ª Vara não foi registrada nenhuma queixa por pagamento de exames, mas para evitar problemas futuros ele se antecipou e proibiu a realização de consultas na cidade. Já na 1ª Vara, vários presos fizeram o exame na cidade para agilizar o processo. A juíza que responde pela 1ª Vara, Vânia kramer, retorna hoje de suas férias e deve anunciar sua posição a respeito.
O representante do Ministério Público, Roberto Ouriques, conta que duas famílias já reclamaram da cobrança no Fórum. Elas teriam pago entre R$ 60,00 e R$ 1,5 mil para realizar todos os exames exigidos, que vão desde laudos psiquiátricos até o acompanhamento de uma assistente social. Quando os exames são feitos na cidade, o juiz da vara correspondente nomeia uma equipe médica para fazer os exames e essa equipe pode cobrar pelos serviços prestados.
A cobrança, segundo Ouriques, não é ilegal, mas ele acredita que é ‘‘imoral’’. Outra preocupação do promotor é com a possibilidade da obtenção dos laudos ser facilitada já que a família do detento está pagando por eles. ‘‘Me preocupo com a imparcialidade desses exames’’, diz Ouriques.

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