Santa Isabel do Ivaí - Os exames de fundo de olhos realizados ontem em Santa Isabel do Ivaí (92 km de Paranavaí) vão mostrar aos pesquisadores as reais consequências sofridas pela população por causa da toxoplasmose. A doença provoca lesões nos olhos, entre outros problemas graves.
O município conviveu a partir de dezembro do ano passado com o maior surto da doença já registrado em todo o mundo. Os exames estavam programados para até a meia-noite de ontem com mais de 400 pacientes.
Segundo o médico oftalmologista Cláudio Silveira, pesquisador da Escola Paulista de Medicina, o período é propício para demonstrar o índice da população atingida pela doença com manifestação de problemas oculares.
O protozoário causador da toxoplasmose se instala nos olhos e pode levar à cegueira total. Silveira estima que pelo menos 20% das pessoas doentes podem apresentar algum tipo de lesão. ‘‘As lesões podem aparecer 10 dias depois de adquirida a doença ou principalmente alguns meses mais tarde e por isso estamos na cidade para reavaliar a situação’’, disse o pesquisador.
Segundo Silveira, há relatos de casos mais raros em que a lesão se manifesta até 20 anos depois de adquirida a doença.
A pesquisa realizada por Silveira e outra pesquisadora da Escola Paulista de Medicina oftalmologista Cristina Muccioli pode revelar informações novas sobre a toxoplasmose à comunidade científica.
Conforme Silveira, até a década de 1990 a literatura clássica sobre o assunto descartava a população adulta no quadro de lesões oculares. A doença só seria perigosa nos casos congênitos (quando o bebê adquire a doença pela mãe infectada com o protozoário). A partir de estudos realizados por Silveira, a comunidade cientítica incluiu estudos sobre lesões em adultos.
O pesquisador é de Erechim (RS) onde a toxoplasmose é endêmica. Naquele município, a fonte de contaminação é a carne. Em Santa Isabel do Ivaí, o Ministério da Saúde confirmou a água como causadora do surto. Por causa dessas diferenças e pelo fato de uma série de outras investigações epidemiológicas, Silveira acredita que o município paranaense se transformou em um dos principais pontos mundiais para estudar a evolução natural da toxoplasmose.
Até agora, o pesquisador já detectou que o protozoário adquirido pela água é menos agressivo em comparação à contaminação pela ingestão de carne.
O surto de toxoplasmose abalou a comunidade de um pouco mais de 9,4 mil habitantes de Santa Isabel do Ivaí. Em consequência da doença, uma mulher sofreu aborto e outros seis bebês nasceram com problemas de saúde.
Um deles está internado desde o nascimento, há mais de 40 dias, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário de Londrina. Outras três gestantes que adquiriram a doença convivem com o medo das consequências nos filhos.

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