Exame para o câncer dá Samba
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terça-feira, 01 de abril de 1997
Ana Cristina Pereira 
Da Sucursal
PrecisãoJean Francisco Furtado, um dos integrantes do Samba: sistema permite diagnosticar o grau de agressividade do tumor e aplicar o tratamento adequadoO Hospital Evangélico de Curitiba implantou novo sistema para análise de tumores. O Sistema de Análise Microscópica de Busca Automática (Samba) começa a funcionar nos próximos dois meses e vai permitir melhoria no tratamento dos doentes.
O diferencial deste sistema é que, depois da análise do material, notifica a quantidade de DNA de cada núcleo celular do tumor. Com esta informação, o médico pode saber o grau de agressividade do tumor ao organismo e direcionar o tratamento de forma mais eficiente.
Quanto mais material genético for detectado nas células, mais agressivo é o tumor, afirma o médico Jean Francisco Furtado, um dos integrantes do projeto Samba. Segundo ele, os pacientes podem, com este exame, receber tratamento mais adequado.
Furtado diz que até então o tratamento de tumores era semelhante para os diferentes tipos de caso. Tratávamos até agora os tumores de uma forma geral, sem sabermos o grau de agressividade ao organismo, destaca.
A maior dificuldade de avaliar o quadro de um tumor está nas caracterísitcas de sua manifestação, diz o médico. O tumor nasce a partir de uma formação celular anormal. As células desenvolvem processo incontrolável de divisão e crescimento, tendendo a se estender para outros pontos do corpo por via circulatória e linfática.
A identificação de células doentias e o ritmo de crescimento são fatores importantes para destruir o tumor. O Samba colabora nesta perspectiva e foi desenvolvido a partir do desenvolvimento anômalo das células, ressalta Furtado.
O Samba é um método de reconhecimento das células, que foi sistematizado em linguagem de informática, explica o Furtado. O Samba é um software, rodado por computador, conectado a um microscópio e uma câmera de vídeo. O computador que opera o sistema pode dialogar, via Internet, com centros que fazem pesquisas semelhantes em qualquer parte do mundo, afirma.
Segundo Furtado, o samba vai complementar outros exames feitos atualmente para diagnosticar tumores. Alguns dos exames realizados são laboratoriais, clínicos, anatomopatológicos, de imagens e histológicos.
O sistema foi importado da Bélgica pelo Instituto de Pesquisas Médicas do Hospital Evangélico (Ipem) por R$ 120 mil. O Samba é resultado de pesquisa realizada pelo hospital em convênio com a Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica.
O Samba chegou a Curitiba há três semanas. Estamos na fase de implantação do sistema, diz Furtado. Depois de instalado, o aparelho fazer exames em pacientes particulares e conveniados.


