Exame para identificar a doença custa R$ 40,00
''Graças a Deus a minha filha não pegou, mas a prima dela, sim. Elas viviam grudadas, e eu pedi para pararem de se ver um pouco, porque tenho medo. E o caso dessa menina só deu para saber porque eu falei com uma agente de saúde'', afirma Maria Jorgina Alves da Costa, acrescentando que tem mantido mais a filha em casa por receio de que ela contraia a doença.
O mesmo não ocorreu com a pequena Kawane Fernandes Ferreira, que teve febre, dor abdominal e vômitos. A irmã mais velha, Fabiana, diz que não teve nada . ''Nunca tinha ouvido falar em hepatite, mas não fiquei com medo de pegar'', revelou Fabiana, alegando que, por não ter apresentado nenhum sintoma, não foi infectada. Ela, porém, não chegou a fazer nenhum exame para confirmar o diagnóstico. Isso porque o exame de bilirrubina e transaminase é enviado a um laboratório em Londrina, e custa R$ 40. Só com esses resultados é possível identificar o tipo de hepatite. Quem pagou o exame de Kawane foi o avô, Bernando Fernandes Santos, com quem as garotas moram em um bairro humilde da cidade.
''O município não tem condições de arcar com todos os exames realizados, mas, quando a pessoa informa que não tem dinheiro para pagar, a prefeitura dá um jeito. Mas se a pessoa vai embora sem o exame e sem avisar a gente que não consegue pagar, aí não podemos fazer nada'', afirmou a enfermeira da epidemiologia, Damaris Ribas Morais, sem saber precisar quantos exames desse tipo foram custeados pelo município.
Substituindo um médico de licença no Centro de Saúde da cidade (dentre três que trabalham no local), o prefeito Célio Pinto de Carvalho, que também é médico, ficou sabendo que tais exames eram cobrados e não eram feitos pelos equipamentos do município enquanto atendia à reportagem da FOLHA, e também não soube informar quantos exames o município pagou desde dezembro.(A.I.)





