Exame mostra que portadora de deficiência não tem lesão grave
Os primeiros resultados do exame de ressonância magnética de Izabel Cristina Soares Lopes, 30 anos, não indicam nenhuma alteração grave na coluna vertebral que a impeça de andar normalmente. O exame foi feito ontem pela manhã, na Ultramed, em Londrina e o radiologista Décio Prando Moura fez, na hora, apenas uma avaliação inicial. O grupo Ultramed ofereceu o exame gratuitamente após ler sobre o drama de Izabel, na edição da última terça-feira da Folha. A mulher, que é deficiente física, tentava há quatro meses, junto à Autarquia Municipal de Saúde, a liberação do procedimento.
Ela tem problemas congênitos nas pernas e nunca andou normalmente. Ha cerca de 15 anos, começou a perder também os movimentos das mãos. Para cuidar dos seis sobrinhos menores, cozinhar, lavar os utensílios domésticos e varrer a pequena casa de três cômodos onde mora com a família da irmã, Izabel tem que se arrastar sobre um banquinho de madeira. Desde novembro, vinha tentando a liberação de uma guia para o exame de ressonância magnética solicitado pela neurologista Mônica Marcos de Souza, do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que atende Izabel. O custo é de cerca de R$ 750,00 em laboratório particular. O pedido foi encaminhado à responsável pela Diretoria de Auditoria, Controle e Avaliação (Daca) da Autarquia Municipal de Saúde, Rosângela Aurélia Libanori, no dia 18 de novembro do ano passado. Foi recusado.
Izabel chegou ontem cedo à clínica e não escondia um certo nervosismo no sorriso. Mas, garantia, estava tranquila. Estou muito animada. Tenho muita esperança, disse. A supervisora do grupo, Silvana de Freitas, foi buscá-la em sua casa, no Jardim Vale Verde, na zona leste de Londrina. Falando pouco e olhando com interesse para tudo, Izabel foi acomodada no aparelho e, por volta das 8h45, os exames começaram.
A princípio, estava programado apenas um exame na região da coluna cervical. Porém, quando os primeiros resultados começaram a aparecer, os médicos Mauro Takeda e Décio Moura autorizaram dois novos exames: nas áreas dorsal e lombar e do crânio. Segundo a enfermeira especializada em ressonância magnética que conduziu o exame, Deborah Kruger, como o primeiro exame não indicava nenhuma anomalia que justificasse o quadro patológico de Izabel, os dois outros precisavam ser feitos para afastar a possibilidade de uma série de patologias. Falando em bom português, vamos estudar ela inteira, disse.
Depois de uma hora de exames, os médicos puderam constatar que, à primeira vista, não havia nenhuma alteração grave no crânio e coluna. Com exceção de uma hérnia de disco entre as vértebras C5 e C6 e uma escoliose, que devem ser resultantes do próprio quadro clínico, não pude observar nenhuma patologia que causasse este quadro, explicou o radiologista Décio Moura.
Segundo ele, porém, o parecer final só poderá ser emitido depois que conversar com a neurologista Mônica Marcos de Souza, do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que atende Izabel. Não tenho muitos dados sobre as condições da Izabel. Vou conversar com a médica, estudar seu histórico e estudar mais detalhadamente os exames. Só aí poderei dar um parecer mais garantido, afirmou. O resultado final deve sair hoje, no final da tarde.Josoé de CarvalhoNa clínicaIzabel é preparada para fazer o exame de ressonância magnéticaTelma Elorza





