Marcos Negrini


Marcos Negrini


Sem armaO menor diz ao delegado Emerson Furtado que ninguém tinha arma de brinquedo; promotora Emília Ribeiro pede abertura de inquérito; presidente da OAB, Lélis Vieira, acompanha o caso; na foto superior, passeata de protesto realizada esta semana O estudante Tadeu Delfino Soares foi baleado pelas costas à curta distância. A afirmação é do delegado Emerson Fortunato de Abreu, com base no resultado do exame de necrópsia emitido pelo Instituto Médico-Legal. Conforme o laudo do IML, a bala que atingiu Tadeu ficou alojada no coração dele e havia chamuscamento de pólvora na roupa do menor.
Ontem, a promotora Emília Ribeiro Arruda de Oliveira entrou com pedido de abertura de inquérito policial para apurar possível homicídio doloso ou abuso policial. A promotora foi designada para acompanhar as investigações da morte de Tadeu pela Procuradoria Geral da Justiça do Estado do Paraná.
Tadeu foi morto na madrugada de domingo pelo terceiro-sargento da Polícia Militar Antônio Carlos da Silva. A promotoria pública entrou no caso diante da repercussão da morte do menor. ‘‘A partir de agora, vamos acompanhar todas as diligências’’, disse Emília. Ela e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Maringá, Lélis Vieira, acompanharam ontem o depoimento do menor A.B., 14 anos que estava junto com Tadeu na noite do crime. A. B. foi o único que conseguiu fugir durante a abordagem policial.
Ontem foi o primeiro depoimento dele na Delegacia de Adolescentes. Acompanhado da mãe, ele se mostrou calmo durante o depoimento e foi categórico ao afirmar que nenhum dos quatro garotos estavam com arma de brinquedo e nem canivete no momento do crime.
No depoimento, A.B. disse que ele e os amigos Tadeu Delfino Soares, E.M.C. e G.C.G. estiveram juntos praticamente toda tarde de sábado. À noite eles teriam ido em um bar próximo à Avenida Tiradentes e por volta das 2h30, quando retornavam para a casa, começaram a praticar atos de vandalismo. Primeiro jogaram pedra em uma clínica e depois na banca de revista. E.M.C, segundo A.B., teria dado um chute e quebrado um vidro da banca, facilitando o furto das revistas.
Depois do arrombamento da banca, os quatro teriam ido embora, mas resolveram voltar. Quando estavam próximos à banca de revistas, viram a viatura policial e todos saíram correndo. Conforme A.B., os policiais desceram da viatura gritando para que eles (os quatro garotos) parassem de correr. Um dos policiais, de acordo com A.B. saiu da viatura e em seguida sacou uma arma que ele acredita ser um revólver.
Entre os quatro garotos, A.B. foi o único que conseguiu fugir e se escondeu atrás de uma árvore. Ele disse que quando ainda estava correndo, bem próximo do local onde haviam encontrado os policiais, ouviu alguns tiros. Ele ficou sabendo da morte de Tadeu na manhã de domingo. A.B. também afirmou que ficou sabendo depois que G.C.G. e E.M.C. teriam sido levados pelos policiais para um local próximo ao supermercado Mercadorama. Os quatro, segundo ele, tinham bebido vinho na noite de sábado.
As declarações de A.B. não coincide com os depoimentos de G.C.G. e E.M.C. que ratificaram esta semana a versão de que eles teriam encontrado A.B. e Tadeu numa esquina próxima à banca de revistas. G.C.G. e E. M.C. afirmaram que não participaram do arrombamento da banca. Por causa das versões diferentes, o delegado Emerson Fortunato de Abreu pretende marcar para semana que vem, uma acariação entre os três.
O delegado pediu ontem também o exame de balística. Ele pretende saber qual o tipo de projétil encontrado no corpo do garoto e a que distância exatamente o disparo foi feito. Tadeu Delfino Soares tinha 14 anos, a mesma idade de A.B. Tadeu iria completar 15 anos em agosto.
Segunda-feira, o médico Valdomiro Plagian deve dar depoimento. Ele teria prestado o primeiro socorro a Tadeu ainda no local do crime. Conforme Abreu, outras duas testemunhas que ele não quis identificar, também devem prestar depoimento segunda-feira.

mockup