O resultado do exame de DNA da cozinheira de Foz do Iguaçu Marilene de Lima Vieira, de 37 anos, e do menino Hermano Lemam Silveira, de 5, que mora em uma favela em Curitiba, frustrou a expectativa da polícia e da Justiça, que acreditavam que o garoto seria filho da cozinheira. Marilene teve o filho sequestrado quando ainda estava na Maternidade Nossa Senhora do Caravaggio, em Matelândia (67 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu).
O drama de Marilene começou no dia 25 de outubro de 1991, quando o filho desapareceu do hospital. Ainda sob efeito da anestesia usada no parto, ela diz que pode ter assinado algum papel autorizando que o filho fosse levado da maternidade.
A cozinheira registrou queixa na Polícia Civil e, com papéis do hospital, registrou o menino como Flávio de Lima Vieira, que hoje estaria com 5 anos. Há dois anos, com a prisão da traficante de drogas Doralice Camargo de Oliveira Sá, 60 anos, em Curitiba, a cozinheira voltou a ter esperanças. No barraco da traficante, a polícia encontrou o garoto Hermano, que tem os mesmo traços de Marilene.
Um levantamento da polícia apontou que a traficante tinha feito pedidos de adoção nos fóruns de Medianeira, São Miguel do Iguaçu, Foz do Iguaçu e Matelândia, justamente no mês em que nasceu o filho de Marilene.
Cruzando informações, o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), um braço da Polícia Civil do Paraná, descobriu-se que a traficante tinha ligação com Arlete Hilu, que hoje está presa por tráfico internacional de bebês. Os policiais acreditavam que Doralice teria sequestrado o menino na maternidade e não havia dado tempo de entregá-lo a Arlete, que foi presa na mesma época.
Em dezembro do ano passado, a Justiça autorizou que Marilene e Hermano fizessem o exame de DNA, baseando-se em suspeitas do Sicride. Sem dinheiro, ela realizou uma campanha para pagar os R$ 1.600 ao laboratório. Na semana passada, o Centro de Direitos Humanos conseguiu levantar a quantia necessária e, anteontem à noite, entregou o resultado para Marilene, excluindo a possibilidade da maternidade. ‘‘De qualquer forma, o resultado traz expectativa aos pais que tiveram filho desaparecido na região’’, acredita Olmar Klich, presidente do Centro de Direitos Humanos.

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