O Exame Nacional de Cursos, conhecido como ‘‘provão’’, contou com a adesão maciça dos estudantes universitários do Paraná. Segundo o delegado regional do MEC, Altevir Rocha de Andrade, a média de comparecimento aos locais de prova em Curitiba, ontem, foi de 97%. ‘‘Em todo o Estado os números são semelhantes. É uma vitória, mostrando que o objetivo do provão já foi entendido pelos estudantes’’, comemora Andrade.
Alunos dos cursos de Direito, Odontologia, Medicina Veterinária, Engenharia Química, Engenharia Civil e Administração tiveram seus conhecimentos avaliados. O exame incluiu 40 questões objetivas e cinco discursivas, dentro do programa levado ao cabo no decorrer de cada curso.
A movimentação de diretórios acadêmicos contra o provão foi tímida, uma vez que a maioria dos estudantes mostrou-se favorável à avaliação. Em Curitiba, representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPR distribuíram panfletos na entrada dos locais de prova, nos quais se lia que o provão ‘‘serve apenas para situar a universidade em um ranking de competição, esquecendo que pôr (sic) trás de uma colocação ou outra, está a desrresponsabilidade (sic) do governo (...)’’. Para Gustavo Lacerda, secretário-geral do DCE da UFPR, o exame se atém a questões restritas sobre o ensino, esquecendo-se das outras atribuições da universidade: a extensão e a pesquisa.
Rossandra Feix, estudante de Administração da Faculdade Católica de Administração (FAE), acredita que o provão é mais uma arma para diferenciar os bons dos maus alunos. ‘‘Quem não ficou só ‘fazendo turismo’ durante o curso não teme a avaliação’’, acredita. ‘‘Preocupados com a classificação na hora de obter um emprego, os alunos vão começar a pressionar a faculdade por melhor qualidade de ensino, o que vai ser ótimo’’.
Nem todos compartilham desta opinião, porém. Um dos primeiros a terminar a prova, Ricardo Hamilton Ferreira, também do curso de Administração da FAE, acha que o exame avalia o conteúdo acadêmico, que é muito teórico, ficando longe da realidade da profissão, ‘‘que é o que realmente interessa’’. ‘‘Não é a nota no provão que vai garantir emprego a alguém, porque a universidade está longe do mercado de trabalho’’.
Dois formandos de Administração chegaram atrasados ao Colégio Estadual, que concentrou a maior parte dos alunos de Curitiba, e foram impedidos de fazer a prova. Fabiana Milanez Schneider chegou apenas um minuto depois do fechamento dos portões e não se conformou com o impedimento. ‘‘Minha filha está com rinite alérgica em casa, com febre de 38 graus e resfriada’’, justificou no Formulário de Registro de Atraso.
O outro estudante foi Edson Nhoki Kitagawa, que alegou ‘‘problemas de saúde’’ para explicar o atraso de 15 minutos. Outra estudante, Luciana A. M. de Lima, amargou a surpresa de constatar que seu nome não estava incluído na lista oficial de inscritos, por um erro de sua faculdade. Segundo o delegado regional do MEC, estes alunos terão que esperar o próximo provão.

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