Especial para Folha
Das 230 Associações de Pais e Amigos de Excepcionais (Apaes) do Estado e outras 60 escolas especiais mantidas por instituições filantrópicas, perto de
240 estão realizando coleta de sangue em crianças que não tenham feito o teste do pezinho logo após o nascimento. O exame detecta possíveis portadores de doenças como a fenilcetonúria e o hipotiroidismo congênito, que levam ao retardo mental. Se descobertas e tratadas precocemente - de preferência até o primeiro mês de vida - essas doenças não comprometem o desenvolvimento normal da criança.
A pesquisa que vem sendo feita pelas instituições foi iniciada em outubro de 1998, sob encomenda pela Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional (Fepe). As escolas e entidades que ainda não realizaram o trabalho, inédito no Brasil, devem se apressar, já que a meta da Fepe é de encerrá-lo em julho. Com os 12.800 exames já realizados, sem limite de idade, foram detectados 17 casos de fenilcetonúria e 30 de hipotiroidismo congênito.
A coleta desta vez tem que ser diferente: ao invés do pé, são tiradas gotas de sangue do dedo médio da mão de cada criança. O material é enviado gratuitamente para exame. Cabe às instituições contratar enfermeiros para realizar o serviço.
Estão em tratamento hoje no Paraná 350 crianças diagnosticadas precocemente e sem sequelas. ‘‘O controle é fundamental, pois já encontramos uma pessoa de 36 anos com fenilcetonúria’’, avisa a enfermeira do Centro de Pesquisas da Fepe, Marly Gervásio Marton da Silva. Casos como este, descobertos tardiamente, são irreversíveis, mas é possível melhorar a qualidade de vida dos portadores.
Para cada 25 mil mil nascimentos há uma criança com fenilcetonúria e existe um caso de hipotiroidismo congênito para cada 4,7 mil nascidos. O teste do pezinho é realizado no Paraná desde 1987. O tratamento, feito apenas na Fepe, para a fenilcetonúria é uma dieta especial sem proteínas. Quem tem hipotiroidismo deve tomar hormônios. Depois de coletado o sangue, o resultado da prova do pezinho sai em 30 dias. O da mão sai em 15 dias. Mensalmente, são realizadas em média 18 mil testes em crianças vindas de duas mil unidades de saúde e hospitais do Estado.
Hoje, o Centro de Pesquisas, que mantém convênio com institutos semelhantes nos Estados Unidos e Alemanha, consegue atingir mais de 95% do território paranaense. Obrigatório por lei, o teste é gratuito ao usuário e hospitais.

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