Exame de DNA previne câncer
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de janeiro de 1997
Edmara Michetti 
Marcos BorgesCuidadosCamata: Cada bateria de testes investiga um grupo de vírus
O câncer de colo de útero, que, segundo estatísticas médicas, atinge entre 3% e 4% das mulheres, já pode ser detectado antes mesmo de se desenvolver. Feita através de um exame de DNA, a detecção é importante para a prevenção da doença que pode levar à morte. O exame, que começou a ser feito no Brasil há dois anos, está disponível em Londrina desde setembro do ano passado.
O médico Antonio Camata, patologista do trato genital e de mama, explica que o câncer de colo uterino é provocado pelo vírus Papilomavírus, conhecido por HPV, transmitido, geralmente, por contato sexual. O vírus é detectado através do exame preventivo ginecológico, o Papanicolaou. Camata alerta que toda mulher, após a primeira relação sexual, deve realizar o exame anualmente. O diagnóstico também pode ser feito através da colposcopia (exame do útero com microscópio) e biópsia.
O pesquisa de DNA deve ser feita, de acordo com Camata, quando um dos exames anteriores detectar alguma lesão no colo uterino, parede vaginal, vulva e toda região genital. Camata explica que o exame pesquisa, em duas baterias de testes, os vírus que afetam a região genital da mulher com mais frequência. Cada bateria de testes investiga um grupo de vírus.
O médico afirma que as portadoras dos vírus do grupo I (de baixo grau de malignidade) geralmente não desenvolvem o câncer. Se desenvolver será dentro de 10, 15 ou 30 anos, diz o médico. Estas pacientes, de acordo com Camata, precisam realizar o preventivo, no mínimo anualmente, para detectar qualquer alteração. Ele explica que este grupo de vírus é responsável, na maioria das vezes, por lesões verrucosas da vulva e região. Sempre falo para as mulheres se presentearem no mês do aniversário com o exame preventivo ginecológico, orienta.
Exame custa
R$ 130 e não
pode ser feito
através do SUS
As portadoras dos vírus do grupo II (de alto grau) são, de acordo com Camata, mais vulneráveis a contrair a doença e em um prazo mais curto. Ele diz que em alguns casos o câncer aparece um ano após o diagnóstico da lesão inicial. Como o tempo de desenvolvimento da doença é menor, estas pacientes devem se submeter ao exame preventivo com mais frequência. Camata recomenda que o Papanicolaou, nestes casos, seja feito trimestralmente, ou, no máximo, a cada seis meses. É a única forma de não serem surpreendidas com lesões já em estado avançado, afirma.
Camata afirma que de acordo com estatísticas americanas mais de 50% das mulheres com câncer de colo uterino avançado nunca fizeram exame preventivo ginecológico. O médico afirma que a cura, assim que a lesão é detectada, acontece em 70% dos casos naturalmente ou por biópsia. Mas o médico alerta que mulheres curadas podem adquirir o vírus novamente.
Apesar do homem, segundo o médico, raramente desenvolver câncer de pênis, ele é portador dos vírus tanto do grupo I como do grupo II. Ele é o transmissor sadio, diz. Ele orienta que o homem que tiver lesões externas no pênis ou região devem realizar o teste. Camata alerta que mesmo sem lesões externas o homem pode ser portador do Papilomavírus.
O material para exame de DNA pode ser coletado no próprio laboratório, através de um kit. O exame é realizado em um laboratório de São Paulo. O custo, atualmente, é de R$ 130,00 e não é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Alguns convênios particulares pagam o exame.


