Exame clínico ainda é arma contra câncer
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segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Um dos grandes pesadelos dos homens pode estar com os dias contados. Cientistas vêm desenvolvendo exames de laboratório - já existem dois de urina e um de sangue - que no futuro podem identificar o câncer de próstata. Por enquanto, porém, ainda não são capazes de oferecer um diagnóstico totalmente seguro, e o temido exame clínico de toque retal continua sendo necessário. Em conjunto com o exame de sangue chamado PSA o método continua sendo a principal forma de evitar, no futuro, as consequências de um tipo de tumor que só provoca sintomas quando já está em fase de difícil cura.
As novas formas de diagnóstico e tratamento de câncer de próstata e bexiga foram assuntos debatidos na semana que passou em Londrina, durante a Jornada Paranaense de Urologia, Uro-Oncologia e Uroginecologia. Entre os participantes estava o médico Miguel Srougi, professor titular de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e autor de 12 livros, além de dezenas de artigos e estudos na área. De acordo com o médico, é importante que o PSA (que faz a dosagem de uma proteína produzida pela próstata e que aumenta muito na presença de câncer) e o exame clínico sejam feitos juntos, pois detalhes que passarem despercebidos em um serão detectados no outro.
Srougi alertou que o câncer de próstata tem alta prevalência na população masculina brasileira - a cada três ou quatro minutos surge um novo caso no País e a cada 20 a 25 minutos morre um homem vítima da doença. ''De cada seis homens um vai ter este tipo de câncer'', exemplificou o médico. Srougi - considerado uma das principais autoridades médicas do assunto no mundo - também fez revelações preocupantes: o estilo de vida moderno, a alimentação inadequada - com excesso de proteínas e gordura animal -, a pouca exposição ao sol e a falta de vida sexual tem funcionado como um estímulo ao aumento dos casos de câncer de próstata, atingindo homens cada vez mais jovens.
''O câncer só é curável quando diagnosticado no começo, ou seja, quando o tumor está dentro da próstata. Nesta fasem porém, a doença não produz sintomas, daí a importância dos exames preventivos regulares. Se descoberto precocemente há até 90% de chance de ser curado de forma definitiva'', explicou.
O médico observou que o exame de toque retal gera reações de resistência nos homens do mundo inteiro por dois motivos: problemas culturais (que independem do nível de instrução) e o medo da dor. ''Mas talvez o medo da dor - os homens de maneira geral têm menos resistência a ela que as mulheres - seja maior que o preconceito, porque aqueles que fazem uma vez e vêem que não dói passam a fazer o exame de forma regular.''
As formas de tratamento mais eficazes para este tipo de câncer ainda são a cirurgia e a radioterapia, cada uma com suas vantagens e desvantagens. A cirurgia cura um pouco mais (85% dos doentes), porém produz mais impotência sexual e riscos maiores de incontinência urinária. Já a radioterapia apresenta chances de cura que chegam a 70%, porém com menores riscos dos efeitos citados acima. Para o médico, portanto, o tratamento correto é aquele que melhor se adequa ao desejo e aos sentimentos do paciente.
A boa notícia trazida por Srougi foi o resultado de um amplo estudo feito na Austrália. A pesquisa mostrou que os homens que na idade adulta jovem têm mais atividade sexual são menos propensos ao câncer de próstata. ''Segundo o estudo, aqueles que mantiveram mais de três relações por semana tiveram 40% a menos de chance de desenvolver um câncer ao chegar na idade adulta madura.''


