Exaltasamba ajuda doentes renais
Especial para a Folha
Os pacientes da Associação Criança Renal, em tratamento no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, tiveram uma sessão de hemodiálise animada ontem, com a visita do grupo musical de pagode Exaltasamba, de São Paulo. Três integrantes do conjunto, que vieram à cidade para divulgar seu último disco, passaram pelo hospital para dar apoio às crianças que sofrem de insuficiência renal.
A Associação atende 161 pacientes, de zero a 20 anos, que apresentam a perda da função do rim (responsável pela filtragem do sangue) e precisam ser submetidas ao tratamento, três vezes por semana. Cada sessão dura quatro horas e a única forma de cura é o transplante de rim, uma operação complicada já que há falta de doador e é necessária a compatibilidade entre doador e receptor.
Nas crianças o problema é um pouco mais delicado. Como está em desenvolvimento, deve ser tratada em um centro especializado de atendimento global, com nefropediatras, enfermeiros treinados, nutricionistas, psicólogos e programa educacional para garantir a continuidade dos estudos. As crianças que vêm do interior ficam hospedadas em uma casa de apoio da entidade, acompanhadas de seus pais.
Durante a visita os cantores Péricles, Pinho e Chrigor, do Exaltasamba, distribuíram autógrafos e conheceram pacientes como Marcos Freitas, de 17 anos, e Áurea dos Santos, de 16. Áurea está doente desde os 8 anos de idade e há dois faz hemodiálise. Nas sessões ela recebe a orientação de um professor do Centro de Estudos Supletivos e estuda para as provas de 5ª a 8ª série, pois não consegue acompanhar as aulas na escola.
Marcos é um jovem artista plástico que faz hemodiálise pela manhã e à tarde se dedica à pintura. Já fiz três exposições e vendi vários quadros, conta o rapaz. A sala de hemodiálise é repleta de seus quadros, que ajudam a animar o ambiente.
Quase todos os pacientes são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que repassa verba para a unidade de hemodiálise do Pequeno Príncipe. Mas os recursos não são suficientes e para manter o atendimento. Criada há sete anos, a Associação Criança Renal faz campanhas pare recolher doações da comunidade e ajudar a garantir a continuidade do serviço.
A despesa média do centro de hemodiálise é de R$ 40 mil, mas a entidade soma dívidas que já chegam a R$ 80 mil. As crianças estão sendo atendidas
normalmente e passam bem, quem vai mal é a Associação, que deve R$ 30 mil só em parcelas da compra de máquinas de hemodiálise, conta a médica Rejane de Paula Meneses, presidente da Associação Criança Renal.
Para tentar reverter este quadro, a associação está fazendo uma campanha de arrecadação de alimentos, roupas e dinheiro. Propagandas para a televisão, mostrando a situação do doente renal, estão sendo veiculadas para sensibilizar a população. No filme é divulgado o número 900-0011, através do qual pode ser feita a doação de R$ 5, deduzidos em conta telefônica.Mauro FrassonO cantor Chrigo e Marcos Freitas, que faz hemodiálise no Pequeno PríncipeDaniela Neves





