Uma das pacientes que conseguiu se recuperar do uso do crack, K.P., 15 anos, trabalha hoje como voluntária na Clínica Nova Esperança. Ela se tornou viciada na primeira vez em que experimentou a droga e confessa que ainda sente vontade de usar o crack. ‘‘Hoje, quando bate a fissura eu fico muito agitada, agressiva e sinto dores no corpo. Para me controlar eu fico em casa ou frequento o grupo de voluntários da clínica, onde encontro pessoas que já passaram pelo mesmo problema’’, disse.
Ela parou de consumir crack há dois meses, após um mês internada na clínica. ‘‘Comecei a usar drogas e a consumir álcool com 13 anos. O crack foi chegando aos poucos’’, contou. Ela explicou que o efeito é semelhante ao da cocaína, só que triplicado.
‘‘Você se sente muito forte perante as outras pessoas e não quer perder nunca este sentimento de poder’’, disse. Ela contou que ia para casa apenas para comer e costumava dormir durante dois dias seguidos, ‘‘quando acordava estava agressiva, sentia sede, dores de cabeça e no corpo e a sensação só passava quando consumia mais crack’’.
Após ter dois inícios de overdose e se tornar cada vez mais agressiva, chegando a quebrar toda a casa durante uma crise, os pais da garota chamaram os médicos que aplicaram um sonífero e a levaram para a clínica para um tratamento adequado.
O psicólogo da clínica, Celso Maçaneiro, explicou que a vontade compulsiva de consumir a droga tem origem orgânica e psicológica. ‘‘Isto acontece porque a intoxicação do cérebro é muito rápida, pois a droga age violentamente nos neurotransmissores, deformando as regiões nobres do órgão’’, revelou.

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