Marcos NegriniRéu Antônio Fernandes durante seu julgamento pelo Tribunal do JúriO segundo julgamento do ex-vereador pelo PFL Antônio Fernandes, 37 anos, de Doutor Camargo (35 km de Maringá) está movimentando a cidade. Ele foi acusado pela Promotoria Pública de ter assassinado, no dia 18 de julho de 1991, o agricultor Ademar Faggion, 31 anos, solteiro.
No primeiro julgamento, em 29 de março do ano passado, Fernandes, réu primário, foi condenado a seis anos de prisão. Ele respondeu o processo em liberdade. Os advogados de defesa recorreram ao Tribunal de Justiça do Paraná e o ex-vereador teve aprovado o direito de um segundo julgamento.
Fernandes e Faggion eram amigos de infância - jogavam futebol todas as semanas na granja do primeiro. Faggion era um atleta: lutava karatê e judô. O pai dele, José Faggion, era tesoureiro do Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Doutor Camargo (Codecar), entidade criada por diversos segmentos da sociedade local e que dava atenção especial aos problemas de saúde da população.
José Faggion lançou a candidatura de Fernandes à presidência do Codecar, que passava por sérias dificuldades financeiras. Fernandes resistiu à idéia. Numa discussão entre o tesoureiro e o então vereador pelo PFL sobre o conselho, José acabou por dizer ao então amigo que ele resistia à candidatura porque o cargo não lhe traria retorno financeiro. Com raiva, Fernandes agrediu José com um murro e um chute no rosto. Este fato, segundo relato das testemunhas e do próprio Fernandes, ocorreu no dia 16 de julho de 1991.
DesafioDois dias depois, às 15h30, numa agência bancária, Ademar Faggion e Fernandes discutiram. Segundo testemunhas, Ademar teria desafiado o réu, dizendo: ‘‘Se você é homem mesmo, por que não bate em mim, que sou da sua idade, ao invés de bater no meu pai, que é um velho?’’ Apesar da discussão, não houve briga.
À noite, Ademar dirigiu-se à sede da Câmara Municipal para participar de uma reunião esportiva, que seria realizada a partir das 20h30. Às 20h12, Fernandes encostou seu carro na entrada da Câmara, onde Ademar se encontrava. Este, vendo Fernandes, repetiu o desafio. O então vereador, de dentro do carro e com o vidro abaixado até a metade, empunhou um revólver e atirou duas vezes. Ademar teve morte imediata.
Lutas marciaisNo primeiro julgamento, Fernandes defendeu-se dizendo que havia uma arma com Ademar. Ficou provado que Ademar estava desarmado. Agora, Fernandes quer provar que, mesmo estando desarmado, Ademar representava perigo de vida para ele, pois além de ser forte era praticante de lutas marciais. O julgamento é presidido pelo juiz Luís Carlos Gabardo. O promotor é Otávio Toni. Na manhã de ontem, foram ouvidas as testemunhas; à tarde, seria a vez de Fernandes.

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