Ex-vereador de Campo Largo é preso em SP
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quinta-feira, 18 de maio de 2006
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Curitiba O ex-vereador de Campo Largo (município da Região Metropolitana de Curitiba) Cláudio Thadeu Cyz e sua companheira e sócia Adelir Suzuki foram presos na manhã de ontem, em São Paulo, pela Polícia Federal (PF) de Curitiba. O ex-vereador, filiado ao PSDB, estava desaparecido desde o dia 16 de março e teve prisão decretada depois que moradores da cidade informaram à Polícia que foram vítimas de um calote.
Dono de uma empresa de consultoria financeira existente há 15 anos, o então vereador prestava serviços na área prometendo uma rentabilidade de 3,5% a 8% dos investimentos feitos pelos clientes, através da aplicação do dinheiro na bolsa de valores. Segundo os moradores, tais investimentos não ocorriam e o dinheiro que surgia de novas aplicações de clientes era utilizado para pagar as retiradas solicitadas por clientes antigos. O dinheiro restante era mantido em conta corrente ou em conta poupança, que rendia no máximo 1,5% ao mês.
No último Carnaval, no entanto, correu um boato na cidade, cuja população é de cerca de 90 mil habitantes, de que o então vereador teria sido autuado pela Receita Federal. O boato acabou resultando num número de saques superior ao volume de aplicações, fato que teria motivado o ex-vereador a fugir da cidade com o dinheiro dos clientes. Cyz chegou a ter seu mandato na Câmara de Campo Largo extinto depois que deixou de comparecer a cinco sessões legislativas consecutivas.
A estimativa é de que cerca de quatro mil moradores tenham perdido juntos um valor estimado em R$ 50 milhões. O casal é acusado de sonegação fiscal, crime financeiro e lavagem de dinheiro decorrente da ocultação de ativos. Por cada crime cometido o casal pode cumprir em média seis anos de cadeia.
A prisão ocorreu logo depois que o casal, que estava em Portugal, desembarcou na capital paulista. Os dois chegaram na Superintendência Regional da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, por volta das 11 horas.
O casal teve seus passos investigados nos últimos 20 dias pela Interpol, a pedido da PF. A operação deflagrada pela PF ficou conhecida como ''Milagre Econômico''. ''Optamos por não fazer a prisão no exterior para evitar o longo processo de extradição e porque sabíamos da intenção deles de retornar ao País'', explicou o superintendente da regional da PF, Jaber Makul. (Colaborou Catarina Scortecci)


