Paulo Pegoraro
A ex-diretora de Projetos da Secretaria de Assuntos Comunitários da Prefeitura de Cascavel, Jacira Martins Granzotto, 46 anos, acusada de receber propina para conseguir isenções do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), disse ontem que apenas cumpria ordens no encaminhamento dos carnês e que não recebeu qualquer valor. Na quarta-feira, a Procuradoria Jurídica da prefeitura encaminhou processo administrativo ao Ministério Público, para responsabilização da acusada.
Segundo apurou a Secretaria de Finanças e a Procuradoria, Jacira juntou cerca de 200 carnês para isentá-los sob alegação de que os proprietários de imóveis eram carentes. De acordo com o processo, entre eles estava um dono de 11 terrenos e um que a ex-diretora informou ser pobre e estar com Aids. O próprio contribuinte desmentiu a servidora. A prefeitura não informou quantos carnês foram isentados, seus valores, e de quanto a acusada teria se apropriado.
Jacira, que recebia salário de R$ 919, afirma que não tinha autonomia para decidir as isenções e apenas encaminhava os carnês à Secretaria de Finanças, cumprindo sua tarefa como integrante ‘‘de uma assessoria que lida com carentes’’. Ela transfere toda a responsabilidade à Secretaria e afirma que ainda no período da eleição municipal recebia pedidos do hoje prefeito Salazar Barreiros (PPB) e seu secretário de Finanças, Arnaldo Curioni, para atender devedores.
A ex-funcionária relata que, em um caso, pegou R$ 200 de um devedor para fazer ‘‘um acerto com desconto’’ de débito acumulado de R$ 700 mil. Segundo ela, por problemas burocráticos isso acabou não acontecendo imediatamente e como ficou com o dinheiro em seu poder, teria sido acusada de apropriar-se do valor. Jacira afirma ainda que não teve possibilidade de se defender adequadamente no processo administrativo.

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