Paulo WolfgangMais prejuízoCândido, ex-funcionário da Regional de Saúde: R$ 100 por mês em telefonemas para pressionar o GovernoHá quase dois anos, o ex-funcionário público Valter Barrios Cândido, 40 anos, espera receber o pagamento de uma ação trabalhista movida contra o Governo estadual. Ele trabalhou durante oito anos no Estado como funcionário da 17ª Regional de Saúde e Centro de Saúde e pediu exoneração em 1990 por causa do baixo salário.
Ele conta que ganhou a ação e que o pagamento da indenização entrou no orçamento do Estado em 95 para ser pago até 31 de dezembro de 96. Mas até agora nada do dinheiro. Cândido reclama que gasta em média R$ 100 por mês em telefonemas para Curitiba na tentativa de pressionar o governo para pagar a dívida, que deve estar em torno de R$ 20 mil.
Cândido conta que trabalhou em duas empresas particulares depois que saiu do Estado, mas que agora está desempregado, atuando como vendedor autônomo. Segundo ele, as pessoas que moveram ações trabalhistas contra o antigo patrão estão tendo dificuldades de conseguir outra colocação. ‘‘Existe uma lista negra com os nossos nomes circulando pelas empresas e ninguém contrata quem moveu ação trabalhista’’, reclama. Valter Cândido garante que conhece outras pessoas nesta situação: ‘‘É um absurdo a circulação desta lista. Entrei com uma ação porque me senti lesado. Tanto que ganhei na Justiça’’. O ex-servidor é casado e tem três filhos.
O secretário geral da presidência do Tribunal Regional do Trabalho, o juiz Stélio Olivé Malhadas, diz que o Instituto de Saúde do Paraná (Isepar) já recebeu ofício do Tribunal dando prazo de cinco dias para pagamento da dívida. Se não for paga, o Ministério Público do Trabalho deve determinar o pedido de sequestro dos bens do executado. Malhadas acredita que não será necessário o sequestro dos bens e que o Governo estadual vai acabar pagando a dívida antes.

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