Ex-secretário teria autorizado fraudes
Lucilia Okamura
De Londrina
Processos licitatórios fraudulentos foram realizados na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), com a anuência do então secretário de Governo, Gino Azzolini Neto, e com a orientação do diretor administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Eduardo Alonso.
A afirmação foi feita pelo ex-funcionário da AMA, Edson Alves da Cruz, durante depoimento prestado no 4º Distrito Policial de Londrina. Trechos do depoimento de Cruz constam em documentos entregues a jornalistas, na semana passada, pelo procurador jurídico da Câmara de Vereadores, Antonio Vianna. A documentação se refere a uma reclamação que ele fez junto à Corregedoria da Justiça do Paraná, representando o presidente da Câmara, Renato Araújo.
O Ministério Público vem investigando desde fevereiro possíveis irregularidades em contratos firmados entre a AMA e Comurb e dezenas de empresas entre os anos de 98 e 99. As investigações também estão sendo realizadas pelo delegado do 4º DP, Joaquim Antonio de Melo.
Segundo trechos do depoimento de Cruz, que até o primeiro semestre era o responsável pelo setor de compras e licitação da AMA, Azzolini Neto tinha conhecimento e dava anuência aos processos licitatórios fraudulentos. Ele calcula que estes processos tenham causado um desvio de verbas entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões.
Cruz disse ainda ao delegado que, apesar dos papéis usados nas transações serem timbrados da AMA, algumas licitações foram feitas na Comurb, sob a orientação de Eduardo Alonso. De acordo com os documentos entregues aos jornalistas, os processos eram montados na Comurb e já encaminhados prontos para a AMA, apenas para serem capeados e arquivados.
Azzolini Neto preferiu ontem não comentar as declarações do ex-funcionário da AMA e ressaltou que todo seu posicionamento sobre o caso já foi dado no depoimento prestado aos promotores encarregados das investigações.
Eduardo Alonso afirmou que quando prestou depoimento no Ministério Público, disse que Cruz estava sendo induzido a fazer estas acusações. O Edinho não é uma pessoa digna de confiança, ele já vinha fazendo operações de desvio de verbas na AMA, acusou.
Depois que os escândalos da AMA se tornaram públicos, Cruz foi transferido da AMA para a Comurb. A assessoria de imprensa da Comurb confirmou que ele está lotado no órgão, mas que ultimamente não tem aparecido. Os promotores Bruno Galatti (Defesa do Patrimônio Público) e Cláudio Esteves (Investigações Criminais), responsáveis pelo caso, não dão entrevistas.
No 4º DP, o delegado está responsável por sete inquéritos referentes à AMA e outros 14 sobre a Comurb. Nos casos da AMA, já foram tomados 70 depoimentos de cerca de 15 pessoas, faltando apenas ouvir os responsáveis pelas empresas participantes que, na sua grande maioria, é de Curitiba. O delegado determinou sigilo dos inquéritos para não atrapalhar as investigações.





