GUARAPUAVA - O ex-secretário executivo da Prefeitura de Guarapuava, Antonio Leocádio de Souza Pupo, admitiu ontem conhecer a legislação que proíbe ocupantes de cargos comissionados de realizar negócios com a prefeitura. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga favorecimento de secretários na administração do ex-prefeito Cesar Franco (PDT) apurou que Pupo é um dos donos do restaurante Alecrim, que fornecia refeições para a prefeitura.
‘‘Como cidadão, eu não posso desconhecer a lei’’, declarou. A CPI têm notas fiscais que somam cerca de R$ 20 mil em despesas efetuadas no restaurante. O ex-secretário confirmou que seu restaurante recebia dinheiro da prefeitura mas não falou em valores porque precisaria ‘‘verificar na contabilidade da empresa’’.
Pupo solicitou cópias das notas para averiguação. ‘‘Quero verificar se elas não foram alteradas’’, disse. O sócio de Pupo, Luiz Anselmo Trombini, que ocupava o cargo de ouvidor municipal, também foi convocado para depor mas não compareceu. Ele estava fora da cidade ontem.
Membros da comissão questionaram o fato de que as datas do empenho (documento para liberação de receita) são anteriores aos dias registrados nas notas fiscais emitidas pelo restaurante. Pupo afirmou que esse procedimento é totalmente legal na administração pública, principalmente quando se trata de eventos realizados para recepcionar comitivas de fora.
O presidente da CPI, Edony Kluber (PSDB), estuda a possibilidade de pedir quebra de sigilo bancário. A comissão foi aberta pela Câmara de Vereadores depois que o prefeito Vitor Hugo Burko (PSDB) denunciou que secretários da administração anterior usavam os cargos em benefício próprio.
‘‘Com a pouca documentação que restou, já é possível que a Câmara peça a quebra de sigilo bancário’’, sugeriu o prefeito, ontem. A comissão pretende ouvir nos próximos dias o ex-ouvidor municipal e o ex-contador geral, Ernesto José da Silva.

mockup