A reportagem da Folha teve acesso ontem a novos comentários feitos por seis ex-residentes do Hospital Universitário (HU) acerca da repercussão das declarações ofensivas, preconceituosas e discriminatórias contra funcionários e pacientes da instituição. Pelo menos três deles faziam parte das comunidades de internautas onde foram emitidas as opiniões que acabaram colocando em lados opostos servidores e residentes de Medicina que estudam na Universidade Estadual de Londrina.
As mensagens foram escritas no dia 13 de maio e segundo uma fonte da Folha, estariam em uma comunidade intitulada ''racismo no HU''. O grupo faz comentários sobre os desdobramentos do caso, que foi revelado em reportagens da Folha na semana passada. A reportagem tentou localizar a página mas não a encontrou. Segundo uma cópia da página, enviada à Redação, uma médica, que fazia parte das outras comunidades que foram tiradas do ar, comenta com os colegas o teor das matérias. Ela repete que o grupo de residentes e ex-residentes envolvidos apelidaram os funcionários de ''trolls'' (seres abomináveis, repugnantes e comedores de carne humana), e os chamaram de ''macaca de 15 arrobas'', ''orangotango'', ''bicha da noite'', ''traveco'', ''vesgo do elevador'' e ''prenhas nojentas'' (que seriam as pacientes grávidas).
Um ex-residente que também compunha o grupo envolvido com as ofensas, comenta na conversa que será difícil a obtenção de provas contra eles. ''Ah eh? e vão usar o que como prova? ''Print screen''? Ou uma página do Fórum impressa?...''. Mas adiante ele completa: ''para falar a verdade, até achei meio engraçados os apelidos proferidos pelos estudantes, mas pegaram meio pesado quando começaram com o racismo... Se ker saber, isso é culpa das cotas! Já que estão distinguindo os estudantes pq naum segregar os profissionais tbem?''.
Um outro médico que seria ex-residente do HU censura o amigo: ''Cala a boca, R., é sério''. Um outro rebate: ''tem gente que ainda defende. Quem são mais nojentos hein?''. Outro ex-residente comenta que achou a ''brincadeira'' de extremo mau gosto.
O presidente da Associação dos Médicos Residentes de Londrina (Amerel), Marcelo Cichocki, disse que não tinha tomado conhecimento desses novos comentários e, portanto, não poderia fazer comentários. Ele adiantou que hoje a Comissão de Residência Médica do HU irá se reunir para tratar do assunto.
A comissão executiva do colegiado do curso de Medicina da UEL divulgou uma carta aberta anteontem repudiando ''as manifestações discriminatórias'' publicadas entre outubro do ano passado e abril deste ano. Também informa que foram convocadas reuniões extraordinárias com os preceptores do internato e com todos os 91 membros do colegiado pleno do curso para que sejam tomadas medidas ''visando o resgate da confiança mútua e de melhores condições de trabalho coletivo''. O colegiado sugere ainda que as direções do HU e do Centro de Ciências da Saúde (CCS) promovam através da Comissão de Residência Médica e do colegiado do curso de pós-graduação - modalidade de residência médica (alguns envolvidos estão matriculados em especializações), a análise das causas e avaliação de medidas preventivas. A UEL também apura o caso através de uma comissão de sindicância.

mockup