Ex-reitor não teme relação com acidente na UEL
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
O Anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) não poderia ter sido construído em uma época mais polêmica. Alvo de investigações desde o dia 12, quando uma marquise desabou, matando dois estudantes e ferindo mais 22, o prédio foi erguido na gestão de Jackson Proença Testa, então reitor da instituição. A exoneração do cargo, pedida depois que o governo do Estado determinou o afastamento, evitou que o ele fosse convocado para depor em comissões internas que investigavam denúncias de superfaturamento em obras da instituição, irregularidades em contratos de publicidade e falhas em processos licitatórios. ''Não podemos fazer ilações entre uma questão e outra'', disse o ex-reitor, em uma entrevista concedida à Folha por e-mail.
Testa esteve por sete anos quase dois mandatos, para os quais foi eleito à frente da UEL, em uma gestão considerada muito polêmica. Como ele mesmo citou na entrevista, a denúncia que mais chamou a atenção foi a de suposto superfaturamento na construção de um canil para o Hospital Veterinário, orçado em mais de R$ 1,2 mil por metro quadrado. ''Não houve irregularidades e a acusação foi leviana'', rebateu. Sobre o acidente do domingo retrasado, Testa garantiu: a princípio, não há como estabelecer relações entre a gestão, as supostas irregularidades e a queda da marquise.
''Não podemos fazer ilações entre uma (questão) e outra (...). Por isso, preferimos aguardar a conclusão dos laudos não só da UEL como das outras entidades que estão participando do levantamento (sobre as causas do desabamento)'', afirmou, insistindo na hipótese de que desentendimentos de cunho político deram origem às denúncias encaminhadas ao Conselho Universitário, em 2001. ''Forças políticas ficaram incomodadas com o desempenho da UEL, que sagrou-se em terceiro lugar no ranking nacional de universidades. Ao mesmo tempo, nós disputamos pré-convenção partidária, onde pretendíamos a candidatura de Londrina'', disse, referindo-se ao próprio afastamento e à exoneração do cargo de reitor, em agosto de 2001.
Testa também garantiu que a empresa executora da obra a Mercosul, de Toledo ''detinha todas as condições legais para isso''. Hoje a empreiteira está fechada. ''Como reitor, não me recordo de conhecer a empresa ou seu responsável, e nem tinha obrigação de conhecer cada fornecedor ou diretor de empresa que prestava serviços à instituição.'' Ele também lamentou o acidente e disse que espera seriedade das investigações sobre as causas do desabamento.
Criminalística Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) continuaram ontem os trabalhos de investigação das causas do desabamento da marquise. O perito Luis Noboru informou que a Criminalística já tem os argumentos técnicos para começar a reconstituição digital do desabamento, através de animação gráfica. Segundo ele, após a conclusão das coletas de campo serão necessários mais uns 15 dias para que a reconstituição seja concluída.
Uma das vítimas do acidente, Claire Clara Borges Jézéquel, 23 anos, foi transferida ontem da Santa Casa de Londrina para o Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto (SP), a pedido da família. No dia do desabamento ela teve parte da perna direita amputada e na semana passada foi submetida a nova cirurgia, para conter o início de um processo infeccioso.(Colaborou Silvana Leão)


