Entre tantos casos de burla à norma que proíbe aspirantes a oficiais de se casarem, existe um que pode ser considerado exemplar. É o caso de um cadete que desrespeitou a norma, casou-se quando estava no último ano da escola de formação de oficiais e chegou, no final da década passada, ao posto máximo da Polícia Militar - o de comandante.
Na reserva há quatro anos, esse coronel pede para não ter seu nome divulgado, mas encara a história com bom humor e se coloca do lado dos que acham a exigência absurda. O casamento, no civil e no religioso, ocorreu em 1959 e a notícia correu a boca pequena na escola de formação de oficiais. Até hoje é lembrada por colegas de turma. ‘‘Oficialmente, ninguém soube; simplesmente casei, sem ficar anunciando proclamas na escola’’, conta o coronel.
A decisão não atrapalhou nem o casamento, nem a carreira. Trinta e oito anos depois, o insubordinado ex-cadete continua casado com a mesma mulher, com quem teve três filhos, e passou para a reserva com a satisfação de ter exercido o comando da corporação, além de ter ocupado a Casa Militar do governo do Estado.
‘‘O casamento fez com que eu tivesse mais responsabilidade e dedicação para terminar o curso’’, diz o coronel. Ele argumenta que, ‘‘se por um lado os solteiros têm mais tempo para os estudos, por outro também têm mais tempo para aventuras. É uma opção de cada pessoa, que deve ingressar na escola consciente das responsabilidades’’.
Para o coronel, os defensores da norma que proíbe o casamento de cadetes são ‘‘hipócritas’’. ‘‘Casos como o meu sempre existiram na polícia e é um absurdo manter a interferência do Estado, da disciplina, dentro da casa de um cidadão’’.

mockup