Arapongas A notícia da decretação da moratória da Santa Casa de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), publicada na Folha na edição de sexta-feira, causou surpresa ao ex-provedor do hospital, o advogado Odenir Vital Barbosa. Segundo ele, que atuou como provedor nos triênios 1998/2001 e 2001/2004, a dívida do hospital estava em cerca de R$ 900 mil por ocasião da publicação do último balanço de sua gestão, no dia 23 de abril deste ano, em um jornal da região. ''O valor, apesar de alto, era perfeitamente administrável, sem ser necessário decretar moratória'', afirmou. De acordo com ele, ''não é possível entender como a dívida saltou para R$1,4 milhão em tão pouco tempo''.
O atual provedor, o também advogado Élton Luis de Carvalho, havia anunciado a moratória e a suspensão do pagamento de dívidas antigas como forma de manter o hospital em atividade, sem prejudicar os setores de atendimento. Na ocasião, Carvalho havia também anunciado que a prioridade seria o pagamento de fornecedores vitais, ''mantendo uma política de transparência na prestação de contas''.
Para Barbosa, o novo provedor foi ''infeliz em suas declarações''. ''Em momento algum, nos seis anos em que atuei como provedor, houve alguma tentativa de esconder os fatos'', apontou. Segundo ele, o próprio estatuto do hospital exige a prestação de contas anualmente, que são aprovadas pelo Conselho Fiscal da entidade. ''Nos quatro últimos exercícios, aliás, todas as contas foram analisadas por um auditor independente'', afirmou. O ex-provedor também disse que todas as decisões tomadas em sua administração passaram pela aprovação das respectivas assembléias gerais e estão registradas em atas. ''Elas são, inclusive, enviadas para diversos órgãos públicos, por ser a Santa Casa uma entidade filantrópica'', afirmou.
Segundo o ex-provedor, a dívida acumulada da institução é consequência do estrangulamento que os hospitais públicos vêm sofrendo ao longo dos anos, já que os repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) não são suficientes para fazer frente às despesas. ''Apesar disso e de todas as dificuldades, conseguimos efetuar uma reforma geral no hospital, inclusive com a construção da nova lavanderia, almoxarifado, farmácia, pediatria e centro cirúrgico, que só não entrou em funcionando ainda porque não foi instalado o sistema de ar-condicionado'', apontou. De acordo com ele, todas as instalações já haviam sido inauguradas e estavam prontas para uso quando deixou o cargo. ''Inclusive com todos os equipamentos, que nós conseguimos através do programa Reforsus do Ministério da Saúde. Foram cerca de R$1,2 milhão em equipamentos adquiridos'', afirmou.
O novo provedor não quis comentar as afirmações de Barbosa. Élton de Carvalho se limitou a dizer que ''quando assumimos, em julho deste ano, a dívida estava em R$ 1,35 milhão, atestado por edital. O que fizemos foi somente arredondar. E essa dívida não temos como pagar'', afirmou.

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