A ação popular que pede a anulação da compra da Fazenda Refúgio pela Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina e devolução do dinheiro aos cofres públicos pode resultar em acordo. O empresário Maurício Dinardi, representante da Dinardi Agropecuária Ltda., ex-proprietária do imóvel, afirmou à Folha que estaria disposto a analisar uma possibilidade de entendimento, caso os autores da ação apresentassem uma proposta.
Em 1991, a Companhia de Habitação (Cohab) adquiriu a área para construção de casas populares, pagando cerca de US$ 1 milhão à empresa. Laudos técnicos, expedidos na época, constataram que a fazenda valia metade deste valor, além de ser inadequada para o assentamento. O então vereador Luiz Eduardo Cheida entrou com a ação pedindo a anulação do negócio.
Dinardi foi ouvido ontem pelo juiz substituto da 1ª Vara Cível, Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura, na primeira audiência do processo. O juiz ouviu também as cinco testemunhas indicadas pelo autor da ação, que reafirmaram os argumentos sobre as possíveis irregularidades da transação. Gustavo Lessa Filho, ex-membro do conselho de administração da Cohab, informou que não houve reunião autorizando a compra do terreno. O engenheiro Oswaldo Calzavara, do departamento de Engenharia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), analisou o imóvel e concluiu que não apresentava condições para receber as habitações. O imobiliarista Jorge Coimbra, que também avaliou a fazenda, ressaltou o superfaturamento no preço. José Tadeu Migotto, engenheiro agronômo do Instituto de Terras, Cartografia e Florestas, lembrou a apresentação de um laudo indeferindo a construção das casas.
No dia 31 de julho, a Justiça ouviu, através de carta precatória, o ex-presidente da Cohab, Ângelo Simeão, responsável pela compra e acusado de favorecer Maurício Dinardi. Cheida, os representantes do município e da atual administração da Cohab foram dispensados de depor.
Mário Barrozo, advogado de acusação, espera que o caso seja solucionado até o primeiro semestre do ano que vem. Anteontem, o advogado de Dinardi tentou impedir a realização da audiência, alegando que Cheida é candidato e poderia ser favorecido, mas o juiz indeferiu o pedido.

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