Dois ex-detentos da Colônia Penal Agrícola, que saíram em liberdade nos últimos meses, relataram à Folha as dificuldades que enfrentaram no local. Antônio (nome fictício), 35 anos, saiu da casa de detenção em abril e conta que a comida era pouca, os dois últimos pecúlios que ele deveria receber pelo trabalho na olaria não foram pagos e que há perseguição dos agentes.
''As refeições são sempre arroz, feijão, e uma salsicha ou um ovo. Só. O café da manhã é um pão e uma caneca de café. Tudo mal feito e em pouca quantidade'', afirma ele. Antônio diz que os presos que trabalhavam na olaria já chegaram a trocar tijolos por comida. Ele defende que o problema começou no final do ano passado. ''Eu estive lá antes em 1999 e era bem melhor'', argumenta.
Antônio também diz que foi vítima de perseguição enquanto esteve na Colônia. ''Quando eu ainda estava lá, um preso foi morto. Sem nenhuma prova, me pegaram, junto com mais dois detentos, para bode expiatório. Fui levado para a Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP). Sem prova nenhuma. Fui absolvido e voltei para a Colônia em novembro. E vários presos são ameaçados de transferência para o regime fechado, é uma pressão psicológica enorme'', acusa ele.
O outro ex-detento, Jorge (também identificado por um pseudônimo), saiu da Colônia em março. Seu relato também é amargo. ''Se humilhação serve pra regenerar preso, aquele é o lugar'', afirma ele, que diz que também foi vítima de perseguição. Ele reclama que realmente a comida no local é pouca, e que em certos dias falta até feijão. ''E fiquei sem meus dois últimos pecúlios'', diz o ex-detento, que fazia faxina na prisão.
Antônio afirma também que a Colônia é suja, e que algumas celas sofrem com a infestação de pulgas. ''Outro problema é que é um lugar do qual é muito fácil fugir. Alguns funcionários mesmo me disseram. 'Se você quiser, vai de verde' (gíria para fugir). É só pular a cerca de arame. E o cara tem que ter muita vontade pra se reabilitar lá'', desabafa.

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