O ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinntrol) Evanildo Pinto Rodrigues foi indiciado ontem em inquérito no 1º Distrito Policial de Londrina. Rodrigues está sendo investigado por suposta falsificação de assinaturas de diretores da entidade em assembléia e ata de posse da diretoria, realizada em 2001. O ex-presidente, no entanto, preferiu não dar declarações ao delegado Marcelo Sakuma, que preside o inquérito. ''Vou usar meu direito de ficar calado. Até porque há motivações políticas neste inquérito'', disse.
Em 2001, quatro membros da diretoria do Sinntrol entraram com uma queixa crime contra Rodrigues, alegando que suas assinaturas teriam sido falsificadas. Os requerentes contrataram um perito particular para fazer um exame grafotécnico dos documentos. Segundo Sakuma, uma perícia oficial será realizada nas atas. ''Das 12 assinaturas (da diretoria), pelo menos duas são, com certeza, falsificadas'', declarou o delegado.
As investigações estavam em andamento há quase dois anos. A dificuldade da polícia era de localizar e intimar Rodrigues, o que aconteceu somente no último dia 15. Sakuma disse que preferiu esperar para poder fazer o indiciamento pessoalmente. Ele declarou também que, após a confecção do laudo pericial oficial, o inquérito será encerrado e encaminhado à Justiça. ''Ele vai ser denunciado no Fórum, com certeza. Até porque ele não apresentou defesa'', avaliou Sakuma.
Evanildo Rodrigues foi presidente do Sinttrol por 34 anos. Ele deixou o cargo em dezembro de 2001, segundo o próprio Rodrigues, por ''problemas de saúde.'' ''Sofri dois enfartes no final de 2001. Neste momento, a gente só pensa em manter a vida. Esquece de qualquer outro problema'', afirmou. De acordo com Rodrigues, a atual diretoria do Sinttrol teme sua volta na disputa das eleições previstas para o final do ano.
O atual presidente do Sinttrol, João Batista da Silva, disse que não houve motivação política dos diretores na denúncia. ''Entramos com a denúncia-crime em 2001 e as eleições são somente no final deste ano'', salientou. Vice-presidente na época, Silva assumiu o comando imediatemente após a saída de Rodrigues.
Segundo Silva, o exame grafotécnico realizado nos documentos mostra que as assinaturas teriam sido supostamente falsificadas pelo próprio ex-presidente do sindicato. O atual presidente também acusa Rodrigues de ter usado as atas para comprar dois apartamentos em São Paulo, em nome da Associação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Astrolon). ''Além da entidade não ter receita para comprá-los, os imóveis foram superfaturados'', enfatizou Silva. Rodrigues disse que os apartamentos foram comprados para servir de alojamento na capital paulista e continuam em nome da Astrolon.
Também em 2001, Evanildo Rodrigues ficou 117 dias preso por suposta tentativa de extorsão contra a Usina Central do Paraná, em Porecatu. O processo foi anulado prlo Tribunal de Justiça após recebimento de denúncia de parcialidade do juiz responsável pelo caso.

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