Ex-presidente depõe na CEI
Mauricio Della Barba
De Londrina
O ex-presidente da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Kakunen Kyosen, prestou depoimento ontem aos membros da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores, que apura irregularidades na administração da companhia e na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Mais uma vez, Kyosen furtou-se de dar declarações aos repórteres.
O ex-presidente, e que continua como auditor da prefeitura, apenas negou as perguntas relativas sobre um possível benefício financeiro-pessoal. Na saída do estacionamento, um pequeno grupo de manifestantes chegou a bloquear o carro onde estavam Kyosen e seu advogado, Ronaldo Neves, com gritos ofensivos ao ex-presidente. Na entrada da Câmara manifestantes fixaram faixas criticando a corrupção na administração municipal.
De acordo com o presidente da CEI, o vereador Antenor Ribeiro (PPB), o depoimento de Kyosen, que durou cerca de duas horas, foi sigiloso e não pôde ser revelado.
Anteontem, o ex-diretor da Comurb, Eduardo Alonso, declarou no depoimento à mesma CEI, que Kyosen tinha conhecimento da irregularidades e que foi omisso. Alonso também alegou que Kyosen não teria obtido qualquer proveito pessoal em tudo o que praticou de errado, mas que era o a única pessoa autorizada e com competência no órgão para abrir licitações e autorizar pagamentos.
Apesar das declarações de Alonso e de Kyosen, os membros da CEI ainda devem ouvir mais pessoas citadas no caso, para somente depois avaliar a possibilidade de abertura de uma Comissão Processante (CP). Para abrir um comissão processante devemos ter provas concretas e embasadas. Temos que ter cautela e checar se são procedentes todas as denúncias feitas aqui, justificou Ribeiro.
A CP é o primeiro passo para que a Câmara efetue a cassação dos mandatos de vereadores e do prefeito da cidade. De acordo com o artigo 54 da Lei Orgânica do município, o pedido de abertura de uma CP pode ser feito pelos vereadores, partidos políticos ou qualquer eleitor. Para ser aberta, o pedido tem que ser aprovado por 11 dos 21 vereadores em plenário. Instaurada a CP, os três membros, designados por sorteio entre os vereadores, terão 90 dias para concluir o processo e pedir ou não o impeachment do prefeito ou de vereadores envolvidos.





