Ex-presidente depõe à promotoria
Lucilia Okamura
De Londrina
O ex-presidente da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), de Londrina, Kakunen Kyosen, prestou depoimento, ontem de manhã, ao Ministério Público, que investiga indícios de irregularidades em licitações realizadas pelo órgão. Durante mais de três horas, ele respondeu às perguntas feitas pela promotoria e deu explicações ponto a ponto, segundo o advogado dele, Ronaldo Neves.
De acordo com a documentação apreendida pelo MP, a Comurb teria realizado cerca de 100 licitações, pagando aproximadamente R$ 150 mil por contrato. Os promotores encontraram vários indícios de irregularidades, como serviços não executados. Em todos as licitações aparece a assinatura de Kyosen, que dirigiu a Comurb até o dia 15 de setembro. Ele deixou o cargo alegando que não queria atrapalhar as investigações do MP e continua exercendo a função de auditor da prefeitura.
A assinatura, eu não posso negar, respondeu aos jornalistas, ao ser questionado se assinava as licitações e contratos. Ele disse ainda que não indicou nomes e não sabia das supostas irregularidades. Perguntado sobre quem teria cometido as irregularidades, ele disse: Está no depoimento, afirmou. Prestei todas as informações.
Neves disse que o depoimento não poderia ser divulgado, inclusive porque existem outros desdobramentos e esses detalhes não podem ser esclarecidos agora. Segundo ele, desdobramentos significam pessoas e investigações de outras etapas, inclusive da escala de governo. O advogado ressaltou que Kyosen é um homem honesto e ligado à comunidade.
O depoimento de Kyosen ao promotor de Investigação Criminal (PIC), Cláudio Esteves, teve início às 9 horas. Ele deixou a sala da PIC somente às 12h20. A exemplo do que aconteceu nas audiências anteriores, o promotor não quis comentar o depoimento, dizendo apenas que foi produtivo. Todos os depoimentos acrescentam alguma coisa à investigação, afirmou.
Esteves alegou que não pode falar sobre os depoimentos para não expor as pessoas e evitar prejuízos ao trabalho que vem sendo realizado. Segundo ele, Kyosen e outras pessoas que já prestaram depoimento poderão ser chamadas novamente. Ele e o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, começaram as investigações em fevereiro.





