O ex-presidente da Cohab e mentor do Poupalar, Assad Jannani, defende com unhas e dentes sua cria. Para ele, o projeto fracassou porque não foi prioridade da atual administração. ''Como não é filho deles, faltou boa vontade'', sentencia. Ele diz que a Cohab nunca entregou tantas residências 908 em tão curto espaço de tempo. E sem dependência dos governos federal, estadual e municipal, ou da Caixa Econômica Federal. ''Foram feitos todos com recursos do próprio projeto'', ressalta.
Na essência, Jannani sustenta que o Poupalar funcionava como uma poupança, dentro de um sistema de financiamento inverso do tradicional. ''Normalmente, um financiamento tem mecanismos que protegem o banco. Nós protegemos o mutuário, abolindo o resíduo que normalmente sobra com o fim do financiamento'', diz.
A preocupação com o investidor de menor poder aquisitivo também foi prevista no plano. Em sistema de consórcio, semelhante ao de automóveis, parte dos imóveis foram entregues por sorteio. A pessoa não tinha um valor fixo para a contribuição mensal. O sugerido pela Cohab era 10% da renda familiar. O ex-presidente da Cohab também estima que apenas 10% da demanda inicial do plano, ou cerca de 2,7 mil pessoas, realmente precisavam da casa própria. ''O resto era especulação, mas já tínhamos previsto essa situação. Era a melhor maneira de subsidiar a casa a quem normalmente não teria condições de ter um imóvel'', garante.

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