Ex-prefeito é acusado de desviar verba
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terça-feira, 18 de fevereiro de 1997
Sid Sauer Correspondente 
RONCADOR - O ex-prefeito de Roncador (100 quilômetros ao sul de Campo Mourão), Joaquim Rodrigues da Silva (PMDB), está sendo acusado de desviar verbas da Vila Rural, do Consórcio Intermunicipal da Saúde (Ciscomcam) e até da Comunidade Solidária, num total de R$ 98 mil. A denúncia é do atual prefeito, Odilon Andreolli Gonçalves (PSDB), um antigo inimigo político de Rodrigues. Só da Comunidade Solidária, o rombo é de R$ 60 mil. Outros R$ 33 mil são da Vila Rural.
Segundo Gonçalves, a prefeitura recebeu em junho os R$ 60 mil da Comunidade Solidária para a compra de um ônibus, mas o veículo nunca foi adquirido. Para piorar, o dinheiro saiu das contas do município em dezembro, através de um cheque especial e ninguém sabe onde ele foi parar. No caixa da prefeitura estavam apenas R$ 0,37 e uma dívida de R$ 2 milhões. Agora estamos sem o dinheiro, sem o ônibus e ainda temos que prestar contas ao programa, queixa-se Gonçalves.
O caso da Vila Rural apresenta irregularidades na compra do terreno de 16 alqueires que pertencia ao agricultor Aníbal Taborda Ribas. Através de convênio, a Cohapar enviou à prefeitura, em agosto, R$ 83,2 mil, em duas parcelas, para pagamento da área. Ribas, no entanto, disse que vendeu o sítio por R$ 62,4 mil, que é o valor apenas da primeira parcela. Mesmo assim, ele só recebeu R$ 50 mil. Os outros R$ 12,4 mil foram pagos num cheque da conta do IPTU que não tinha fundos.
Apesar do agricultor ter vendido a área por um preço menor, ele assinou o empenho e o contrato de compra e venda no valor total dos recursos enviados pela Cohapar (R$ 83,2 mil). Por isso, os documentos encontrados na prefeitura mostram uma transação legal. O ex-prefeito pediu para que assinássemos no valor total porque a prefeitura estava em crise e não teria 25% para dar em contrapartida no convênio com o Estado, conta Ribas.
AuditoriaO último caso envolve desvio de recursos do Ciscomcam, que atende as especialidades médicas de pacientes de toda a região, e foi descoberto pelo secretário da Saúde, Sidney Gusmão. O Consórcio está cobrando da prefeitura R$ 5,03 mil referente a parcelas vencidas desde agosto. Documentos encontrados na contabilidade do Município, no entanto, revelam que as parcelas foram empenhadas e pagas. Falta descobrir agora quem sacou os cheques destinados ao Ciscomcam.
Não dá para acreditar que exista tamanha irresponsabilidade com os bens públicos, frisa Gonçalves. O prefeito já instalou uma auditoria interna e promete levar os casos irregulares para a Justiça. A venda irregular de carros e maquinários da prefeitura no dia 29 de dezembro, por exemplo, já foi denunciada à Promotoria. A Folha não conseguiu falar com o ex-prefeito Joaquim Rodrigues da Silva. Na casa dele, a informação é que ele estava no litoral do Estado.


