Ex-prefeito acusado de tráfico está foragido
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sexta-feira, 14 de maio de 1999
Alexandre Sanches 
A Polícia Federal em Londrina está à procura do ex-prefeito de Guaraci (72 km ao norte de Londrina), José Morandi, do filho dele, Marcelo Morandi, e de Gidson Monteiro, que no final de dezembro de 1998 foram soltos da cadeia de Cornélio Procópio através de habeas-corpus, expedido pelo Tribunal de Alçada, em Curitiba. Os três foram presos em outubro de 1998, juntamente com outras quatro pessoas, acusadas de tráfico de drogas. Com eles foram apreendidos 112 quilos de crack. Em dezembro, através de uma liminar de habeas corpus concedida pela juíza Regina Afonso Portes, do Tribunal de Alçada, foram postos em liberdade.
Há pouco mais de duas semanas, o juiz de Cornélio Procópio, Marcelo Ferreira Augusto, acatou o pedido de prisão dos três, expedido novamente pelo Tribunal de Alçada, que julgou o mérito da liminar expedida anteriormente pela juíza Regina Portes. Quando foi decretada a prisão dos Morandi, a Polícia Federal começou a fazer incursões nas residências deles, mas até o momento ninguém foi encontrado.
De acordo com o delegado-chefe da Polícia Federal em Londrina, José Roberto Morel, há mais de 15 dias que José Morandi e José Marcelo Morandi desapareceram de suas casas. Eles provavelmente souberam do mandado de prisão e fugiram. Não temos pistas, mas estamos investigando onde eles poderiam ter ido, informou. Morel, no entanto, evitou comentar a concessão do habeas-corpus.
No despacho da juíza Regina Afonso Portes, o habeas corpus solicitado pelo advogado dos réus, Carlos Frederico de Souza Cruz, foi concedido após analisar os requisitos de primariedade, ausência de antecedentes criminais, residência fixa e trabalho certo. No presídio de Cornélio Procópio continuam presos os outros membros da quadrilha detidos em outubro: Gilberto Monteiro - irmão de Gidson e que responde pelo crime de tráfico de drogas no Estado de São Paulo -, Lucidalvo Miranda Messias, Antônio Duca Messias e Guerino Cerci.
José Morandi realmente é considerado réu primário, mas há mais de nove anos era conhecido da Polícia Federal de Londrina como contrabandista. Em julho de 1990, Gilberto Monteiro foi preso com US$ 250 mil em contrabando. O avião utilizado na ação foi identificado como sendo de Morandi. Em novembro de 1991 somente a carcaça do monomotor foi apreendida em Porecatu, escondida pelo filho do ex-prefeito, Marcelo Morandi. Desde então, a PF começou a intensificar as investigações sobre ele e houve fortes indícios que os dois estavam também envolvidos com o tráfico de cocaína e maconha.
O juiz de Cornélio Procópio, Marcelo Ferreira, foi procurado pela Folha, mas informou que não concede entrevistas sobre os processos que preside. A juíza Regina Afonso Portes, do Tribunal de Alçada, também foi procurada, mas não foi localizada em Curitiba. Segundo uma funcionária do gabinete dela, a juíza só retorna na segunda-feira.


