Ex-pracinhas relembram vitória ocorrida na 2ª Guerra há 52 anos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de maio de 1997
Simone Mattos 
Da Sucursal
Gilson CamargoSchalkaski, 81 anos, ex-combatente em Monte Castelo: Perdi muito sangueO Dia da Vitória, que simboliza o término da Segunda Guerra Mundial, foi comemorado ontem pela manhã em Curitiba, numa cerimônia realizada na Praça do Expedicionário. Como acontece todos os anos, ex-combatentes, famílias e autoridades se reuniram para festejar a data em que a Alemanha se rendeu aos países aliados.
Os 52 anos decorridos do encerramento da guerra não foram suficientes para apagar as lembranças dos que estiveram nos campos de batalha. O curitibano Tadeu Schalkaski, 81 anos, ex-combatente, diz que não consegue ter nenhuma lembrança boa daquela época. Só recordo dos nossos sofrimentos, afirmou. Lembro que fui ferido e perdi muito sangue naquele combate de Monte Castelo.
Com os movimentos limitados e dependente de uma cadeira de rodas, Schalkaski fez questão de assistir à cerimônia realizada ontem. O Brasil participou do conflito com a Força Expedicionária, que mandou para a Itália mais de 25 mil pracinhas, dos quais 465 morreram e quase três mil saíram feridos. Cerca de 30 ex-combatentes compareceram à solenidade, alguns foram homenageados com medalhas.
Apesar das festividades, alguns ex-pracinhas tinham motivos de sobra para não comemorar. No Paraná, 11 ex-combatentes tiveram corte em suas aposentadorias, baseado no decreto 2.172 do governo federal que estabelece o teto máximo de R$ 8 mil.
A legislação deles permitia que recebessem como se ainda estivessem na ativa, por isso a média de salário alta. Os valores eram pagos com base em informações fornecidas pelos sindicatos da categoria e quando não existia mais a função do beneficiário, a aposentadoria era calculada através de uma projeção, explicou a superintendente do INSS no Paraná, Sônia Barbosa.


