UMUARAMA - O ex-policial militar Edson Aparecido da Silva, o ‘‘Bidu’’, de Engenheiro Beltrão, é apontado como mandante da morte de dois agricultores e um corretor de Assis Chateaubriand, executados a tiros dia 29 de março em Brasilândia do Sul. Bidu teria contratado os policiais militares Vanderlei Anselmo Barco e José Carlos Villas Boas para matar o agricultor Gelson Siqueira Miranda, 29 anos, por causa de uma dívida de R$ 11,8 mil.
Gelson havia comprado uma caminhonete D-20 de Bidu e pago com um cheque sem fundos. A Justiça decretou a prisão preventiva de Bidu, mas ele está foragido. Os dois PMs estão detidos no 7º Batalhão da Polícia Militar de Cruzeiro do Oeste. Outros três homens suspeitos de envolvimento na chacina estão presos em Umuarama.
Foi o corretor Vanderlei Priori, de Umuarama, quem ‘‘entregou’’ os PMs e Bidu à Polícia. Depois do golpe, Bidu insistia em receber o dinheiro ou o carro de volta e chegou a fazer ameaças de morte a Gelson, segundo familiares da vítima.
Priori contou que ajudou o ex-policial de Engenheiro Beltrão a marcar o encontro com Gelson na rodovia entre Brasilândia do Sul e Alto Piquiri, sem saber que Bidu pretendia matar o agricultor. De acordo com Priori, ele e Bidu chegaram ao local do encontro num Monza e os dois policiais num Corsa. Gelson chegou por volta das 19 horas num Fiat 147 acompanhado do irmão Geraldo Siqueira Miranda, 33 anos, e do corretor Sílvio Roque Santana, 26 anos.
Ainda de acordo com Priori, ele e Bidu se afastaram do local. Pouco depois ouviu um tiroteio que durou cerca de 15 minutos. Em seguida, os dois policiais, que Priori não conhecia, juntaram-se a eles e afirmaram que o ‘‘serviço’’ estava feito. Detidos a partir das descrições dadas por Priori, os dois PMs foram reconhecidos por ele.
Interrogado semana passada, o soldado Villas Boas admitiu ter ido ao local do crime para ajudar Bidu a receber a dívida, mas alega ter ido embora porque Gelson não aparecia. O cabo Barco, ouvido terça-feira à tarde, preferiu se manter calado. Só vai falar em juízo.
Os dois policiais trabalhavam em Campo Mourão e estavam de folga no dia do crime. O delegado de Alto Piquiri, Jair Pinheiro, que comanda as investigações, aguarda agora o resultado de um exame de balística que pode comprovar que o soldado Villas Boas foi um dos autores da execução. Cápsulas deflagradas encontradas na casa de Villas Boas são da mesma marca e calibre de projéteis recolhidos no local do crime. Os irmãos Miranda e o corretor foram mortos com tiros de pistola semi-automática 380.

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