Ex-policiais da AT estão no alvo da lei
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segunda-feira, 05 de maio de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Da Sucursal
Arquivo FolhaOlhos da leiO promotor Paulo Kessler, designado para atuar junto à Antitóxicos: indícios de extorsão a dois rapazesCinco meses depois das denúncias de corrupção que derrubaram a equipe da Delegacia de Antitóxicos, está em vias de ser concretizada a primeira acusação formal contra quatro dos 35 policiais afastados. Segundo o promotor de Justiça Paulo Kessler, designado para atuar junto à Antitóxicos, um inquérito em curso já reuniu indícios de que os policiais praticaram extorsão contra dois rapazes acusados de tráfico.
As denúncias estão sendo apuradas também pelo Conselho da Polícia Civil, mas o caso anda em ritmo lento e os policiais sob suspeita aguardam o desfecho trabalhando. O delegado Gutemberg Lino de Oliveira, que chefiava a Antitóxicos na época da intervenção, é hoje o titular do 8º Distrito Policial. Ele não estava envolvido, justifica o diretor geral da Polícia Civil, Toleb Baleche. Irregularidades podem acontecer na rua, ou de madrugada, sem que o titular da delegacia saiba.
O corregedor da PC, Hamilton Canfield, diz que a investigação preliminar constatou algumas irregularidades e apontou responsabilidades isoladas. Segundo ele, nada mais pode ser divulgado antes da decisão final do Conselho.
Arquivo FolhaCasa limpaPrédio da delegacia em Curitiba: denúncias de corrupção varreram toda a equipe no final do ano passado
Paralelamente, correm inquéritos específicos sobre casos de extorsão e flagrantes forjados. O caso citado por Kessler foi denunciado por dois rapazes detidos por tráfico sem que um grama de tóxico tenha sido encontrado com eles. Os dois teriam recebido prazo de dois dias para pagar uma quantia aos policiais. Como não reuniram o dinheiro, foram autuados em flagrante.
Também há denúncias de que os policiais usavam menores para atrair homens em cujos carros colocavam drogas. Depois, os policiais apareciam propondo acerto para livrar o suposto traficante. Segundo Kessler, os acertos propostos por investigadores ficavam em torno de R$ 5 mil. Quando envolviam delegados, iam de R$ 20 mil a R$ 200 mil.
O delegado Adauto Abreu de Oliveira, designado interventor na Antitóxicos, diz que encontrou total desorganização. Pessoas detidas em flagrante não tinham ficha e o controle de apreensão de drogas inexistia. Novecentos quilos de drogas estavam estocados e, segundo Oliveira, havia sinais de que fardos costumavam ser retirados da cela que servia de depósito e deveria estar lacrada.
O delegado supõe que a droga era usada por policiais para revenda e consumo, além de servir para forjar os flagrantes.
Ele diz também que encontrou no pátio mais de 300 latas de cerveja vazias: Os vizinhos contam que havia festas frequentes aqui, com a presença de mulheres.


