Ex-PM é condenada a 12 anos de prisão por morte do namorado
A ex-policial militar Maria Eugênia S.P. foi condenada a 12 anos de prisão pela morte do namorado Rodrigo Ximenes. O crime ocorreu no dia 26 de dezembro de 2012, no apartamento em que o casal morava, na Rua Ucrânia, na zona sul de Londrina. Maria Eugênia vai recorrer da sentença em liberdade.
O julgamento foi realizado na quarta-feira, no Tribunal Penal Militar, em Curitiba. Apesar de Maria Eugênia ter sido exonerada da corporação, o processo segue na Justiça Militar porque ela cometeu o crime quando estava em serviço e com o armamento da PM.
A soldado manteve a tese de que agiu em legítima defesa. O casal, ambos policiais militares, estavam namorando havia um mês. A família dele afirma que o relacionamento era conturbado e marcado pelo ciúme e controle. De acordo com o advogado de defesa, Ebert Diego Niles Zamboni, durante uma discussão, o namorado teria tentado agredir a ré com uma faca. Ela teria atirado em legítima defesa. "Há nos autos elementos suficientes para demostrar a legítima defesa", alegou o advogado.
Zamboni considerou pesada a pena de 12 anos imposta a Maria Eugênia. "A pena foi alta tendo em vista que ela é ré primária e não tem antecedentes. A pena mínima para homicídio simples é de seis anos. Ela pegou o dobro", disse o advogado. Zamboni vai aguardar a publicação da sentença para formalizar o pedido de recurso.
O advogado responsável pela acusação, Josafar Augusto da Silva Guimarães, acredita que a sentença deve ser mantida na apelação. "O processo conseguiu descaracterizar a tese de legítima defesa e há indícios de fraude processual", disse Guimarães. Segundo ele, a faca que foi encontrada na mão direita de vítima teria sido plantada. "Ela atirou sete vezes contra ele. Duas vezes pelas costas e um dos tiros pegou na mão dele, onde estava a faca. Outro indício de que a faca foi colocada lá é que ele era destro e a arma estava na mão esquerda", explicou.
Outro detalhe, que de acordo com o advogado de acusação chama a atenção, é o fato de não haver sangue na faca. "A casa toda estava repleta de sangue e a lâmina da faca não tinha sangue. Isso demonstra que foi colocada na mão dele."
O advogado de defesa rebateu afirmando que os depoimentos das testemunhas mostraram que Maria Eugênia saiu do apartamento logo após os disparos. "Não teria tempo hábil para a faca ser plantada", defendeu Zamboni.
A decisão da Justiça não trouxe alívio para o pai de Rodrigo, Valdecir Ximenes. "Só vou ficar aliviado no dia que vir ela algemada e começando a pagar pelo crime que ela cometeu", disse. Ximenes acompanhou o julgamento e, apesar de respeitar a decisão, esperava uma pena maior. "Ela ficar 12 anos presa não vai trazer meu filho de volta, mas se faz justiça. Esperava que a pena fosse maior."
A morte de Rodrigo abalou a família Ximenes, que ainda não se recuperou da tragédia. A mãe dele morreu ano passado em decorrência de um câncer. "A gente nunca supera, principalmente nesta época de Natal. Agora, nada mais tem graça. Ele era uma pessoa alegre. Ela (Maria Eugênia) destruiu a vida dele, a nossa família e a família dela", comentou.
Ximenes espera que este seja o último Natal que a soldado passe em liberdade. "Três anos foi uma eternidade para vê-la condenada, mas parece que foi ontem que o meu filho morreu. Agora, não vejo a hora dela cumprir a sua pena", disse.





