Curitiba Familiares e amigos de crianças ex-pacientes e portadoras de câncer participaram ontem de um dia de conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce da doença que atinge anualmente cerca de 7,1 mil crianças de zero a 18 anos em todo o País. Caso seja tratado no ínicio, as chances de cura superam os 70% dos casos.
O acadêmico de medicina Rui Miguel Coromori, 20 anos, teve leucemia (tumor no sistema nervoso central) aos oito anos. A doença foi descoberta em Caçador (SC). Ele veio então para Curitiba iniciar o tratamento. ''Nunca soube que tinha câncer. Eu achava que tinha uma anemia grave no sangue, mas achava normal'', disse ele.
Foi um ano de tratamento intenso, dentro do hospital. Outros quatro anos de tratamento com controle periódico. ''Hoje tenho uma vida normal, saudável. Estou curado e posso pensar em ajudar outras crianças que futuramente tenham a mesma doença'', disse animado. Rui Miguel está no terceiro ano de medicina.
Vanessa Borges Gonçalves, 15, está em tratamento há sete meses. Ela sofre de câncer na faringe. Com pouco tempo de tratamento, a adolescente conta que já sente os resultados. ''Eu tinha uma bola no pescoço e era muito magra. Hoje não tenho mais a bola no pescoço e estou engordando. Minha resistência está boa e estou me medicando corretamente'', argumentou. Vanessa acredita que tenha atualmente uma vida normal, apesar de não estar completamente curada.
Além da orientação por panfletos, foram instaladas barracas por toda a Praça Osvaldo Cruz, na região central. Sorteio de brindes, caminhadas, shows e brincadeiras com as crianças fizeram parte da programação. Uma das dez barracas instaladas no local chamava atenção. Ali, os pacientes poderiam contar a história que viveram em folhas coloridas. As folhas serão anexadas num álbum de depoimentos, que será guardado e provavelmente publicado no futuro pelo Hospital Pequeno Príncipe.
Atualmente, o serviço de oncologia do hospital atende cerca de 100 novos casos da doença por ano. Passam diariamente pelo serviço cerca de 35 crianças. A cada semana são realizadas cerca de 100 sessões de quimioterapia.
Um dos eventos mais esperados ontem era a caminhada dos amigos e familiares de pacientes e ex-pacientes, que seria realizada à tarde. Cerca de 1,5 mil pessoas estavam inscritas. Aproximadamente 80 voluntários auxiliariam no percurso e na inscrição dos participantes, que receberam um kit com camiseta e artigos promocionais do evento.

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