Tudo aconteceu muito rápido na vida da professora de balé Yeda Marques Russo, 57 anos, desde que ela soube que tinha câncer nos ovários, no final do ano passado. Da descoberta à recuperação, passando pelos momentos em que foi desenganada pelos médicos, foi uma questão de meses.
Nesse mesmo furacão surgiu a idéia de produzir a Mostra Solidária de Dança, em retribuição aos cuidados que recebeu no Instituto do Câncer de Londrina (ICL). Não foi projeto a longo prazo ou devaneio de pessoa que viu a morte de perto. Prova disso é que a mostra acontece já na semana que vem. ''Ninguém costuma fazer um espetáculo desses em dois meses, mas preferi que fosse assim porque senão você acaba esquecendo o que passou'', diz a ex-bailarina.
E olha que não se trata de evento modesto. Grandes companhias de dança brasileiras e até de vizinhos latinos passarão pelos palcos do Teatro Ouro Verde, entre os dias 7 e 9 de setembro. Todos unidos pelo mesmo espírito de solidariedade que moveu Yeda. ''A Cia Brasil de Danças Clássicas (SP), por exemplo, tem cachê de R$ 10 mil, mas não está cobrando para participar da mostra''
Outro exemplo de empenho em prol do evento solidário vem dos gêmeos Faísca e Fumaça, famosa dupla de street dance. ''Eles disseram que só não vêm à pé porque é longe, mas que se fosse preciso dormiam no sofá da minha casa para reduzir as despesas'', conta a professora, que mantém amizade com vários bailarinos espalhados pelo País. Ela também já ganhou passagens e hospedagens de empresários voluntários da cidade.
Com renda revertida para o ICL, a mostra é, nas palavras de Yeda, ''um agradecimento, uma retribuição e uma contribuição'' para outras pessoas que venham a enfrentar o mesmo drama que ela. A organizadora lembra que a medicação para tratamento de câncer é ''caríssima'' e que ''é uma doença muito ingrata, que afeta não só o paciente, mas todas as pessoas próximas''.
No caso de Yeda, afetou não só os parentes oficiais, mas também a família que ela formou no centro de dança que coordena. Além de sofrer e torcer pela professora, as meninas do Corpo de Baile do Centro de Dança e Artes deram aulas em seu lugar enquanto esteve debilitada. Agora, junto com as alunas mais novas, ensaiam números para a mostra.
''Inspira mais responsabilidade, até porque raramente a gente se apresenta 'em casa'. E ainda tem um lado mais afetivo, pois todo mundo aqui já teve algum parente com câncer. Todos os meus avós, por exemplo, tiveram a doença'', conta Lívia Sierra, 19 anos.
Com o otimismo que a levou à organização-relâmpago do evento, Yeda diz que espera ver pelo menos 600 pessoas por noite na platéia do Ouro Verde. Nos palcos, grupos de balé podem se inscrever para apresentações simples, comentadas por um grupo de jurados ou ainda como competidores.

SERVIÇO:
Mostra Solidária de Dança em prol do Instituto do Câncer
Data: de 7 a 9 de setembro
Local: Teatro Ouro Verde
Ingressos e informações: (43)3324-6236 e (43)3326-6818
www.mostrasolidariadedanca.com.br

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