Ex-motorista viveu noite de terror
Uma bala alojada nas costas, ameaçando permanentemente a coluna vertebral, causa fortes dores e paralisia parcial nos braços e pernas do ex-motorista José Gonçalves, 47 anos. O drama de Gonçalves começou em um assalto que quase o matou, em uma noite de fevereiro de 1995. Em uma rua deserta e escura da periferia, um jovem armado invadiu o ônibus que dirigia e o rendeu.
‘‘Não ouvi ele pedir para o ônibus parar. Acabei levando um tiro à queima-roupa, embaixo do braço’’, conta o ex-motorista, que nunca usou armas no trabalho. A bala calibre 38 se alojou próxima à coluna, causando fortes dores no motorista que ainda conduziu o ônibus por mais de um quilômetro, até uma delegacia.
Gonçalves lembra que foi salvo por um colega, que entrou em luta corporal com o assaltante. O colega também saiu ferido com um tiro no braço. ‘‘Antes de fugir, o assaltante encostou a arma na minha cabeça e puxou o gatilho, mas, graças a Deus, falhou’’.
Desde o episódio, Gonçalves luta para provar que não pode trabalhar. ‘‘Não tenho dinheiro para fazer a perícia médica e a cirurgia de extração é de alto risco’’, diz. Residente na Gleba Guarani (região nordeste), ele tem dois filhos, um deles, pacoteiro de um supermercado, que ajuda a sustentar a família. Mesmo com dores e a limitação de movimentos, Gonçalves capina terrenos baldios.

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