Ex-moradores do Parque Nacional de Ilha Grande, no Rio Paraná (noroeste do Estado), querem retomar suas propriedades nas ilhas ano que vem caso o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não defina uma data para pagamento das indenizações. Um grupo de aproximadamente 50 ilhéus se reuniu ontem à tarde em Porto Cerâmico, no município de Altônia (76 quilômetros a sudoeste de Umuarama). Eles querem mobilizar todos os ex-moradores para retornarem às ilhas no início de 2002.
Segundo o líder do grupo, Antônio Vieira da Silva, de Altônia, os ilhéus se sentem enganados porque deixaram as terras com a promessa de que as indenizações seriam pagas no início deste ano. ''Já estamos em dezembro e até agora não há nenhuma previsão de quando vamos receber'', reclamou. Representantes de aproximadamente 30 ex-ilhéus, que hoje vivem em Guarapuava, no Oeste do Estado, também participaram da reunião.
Segundo a diretora do Parque Nacional de Ilha Grande, aproximadamente 600 posseiros se habilitaram para receber indenização. De acordo com Maude Nancy Motta, na primeira etapa, serão pagos os títulos expedidos pelo Incra e registrados em cartório. ''Os títulos em situação irregular serão avaliados posteriormente'', informou. Maude diz que existe muita pressão de advogados e políticos que querem se beneficiar das indenizações, mas o Ibama será criterioso. ''Só receberá quem realmente tiver direito'', avisou.
Criado em 1997, o parque compreende quase 80 mil hectares de ilhas ao longo do Rio Paraná, na divisa com Mato Grosso do Sul. Ilha Grande, a maior do parque, já chegou a ter 1.500 pequenos posseiros. Nos anos 80, a maioria deixou as ilhas, expulsos pelas enchentes e pelos pecuaristas que adquiriram a maioria das terras.
Cerca de 100 famílias ainda moram em Ilha Grande. No município de Vila Alta, 50 famílias foram transferidas ano passado para a vila rural e também ameaçam voltar para a ilha. O Ibama ainda não tem previsão de quando serão pagas as primeiras indenizações.

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