Telefonista e digitadora do Núcleo Regional de Educação (NRE), Daisy Elisa Lobato Haas, 25 anos, foi monitora do teleposto montado no Catuaí Shopping Center. As aulas começaram em outubro do ano passado e terminaram em dezembro. Ela e outros 20 alunos tentavam uma vaga na Universidade de Londrina. ‘‘Não imaginava que ia conseguir’’, confessa a funcionária do NRE, acadêmica do curso de Secretariado Executivo.
Daisy Haas, que mora no jardim Bancários (zona oeste), lembra que não foi fácil enfrentar a jornada de oito horas de trabalho e ainda ter que se deslocar até o shopping para, no período das 19h30 às 22 horas, monitorar o Telecursinho, de segunda a sexta-feira.
Para ela, a conquista da vaga (disputada na proporção de seis por um) era algo quase impossível. ‘‘Muitas vezes não dava nem para prestar atenção no conteúdo das fitas de vídeo devido à preocupação com o trabalho que eu tinha que fazer.’’
Como monitora, Daisy tinha que programar a aula a ser dada, analisar as fitas e discutir as dúvidas. ‘‘Foi corrido mas valeu a pena’’, afirma. Para ela, o conteúdo do material é bem elaborado e fácil de ser assimilado pelo aluno. Ela lembra que alguns dos participantes do Telecursinho, que também trabalhavam durante o dia todo, vinham de cidades vizinhas para estudar. ‘‘Para a maioria das pessoas, aquela era a única chance de entrar na universidade e o pessoal se esforçava mesmo.’’
A telefonista do NRE diz que não teve mais contato com o grupo que participou dos estudos, mas afirma ter visto alguns nos corredores da UEL. Um deles, lembra ela, disputou a vaga do curso de Direito. ‘‘O importante é ter vontade e se esforçar para chegar lá.’’
(Luka Morais)

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