Ex-missionário insiste na acusação de furto
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de novembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá Especial para Folha 
O ex-missionário Alécio Miranda Leal disse ontem, em entrevista por telefone ao programa Pinga Fogo na TV, de Maringá, que a empregada doméstica Marli Miranda Pereira da Cruz, trabalhou por apenas dois anos para ele e a esposa Saline Atie Ramos. Miranda Leal afirmou que a ex-empregada furtou do guarda-roupa do casal na residência do Rio de Janeiro, R$ 90 mil em dinheiro. Ela (Marli) está sendo seduzida por alguém para nos prejudicar, declarou o ex-missionário.
Miranda utilizou o programa para rebater a matéria publicada na edição de ontem da Folha sobre a representação criminal com pedido de prisão preventiva feito por Marli contra o ex-missionário e a esposa Saline por cárcere privado, violação de domicílio e exercício arbitrário das próprias razões. A casa da ex-empregada foi invadida e os móveis retirados.
Além disso, Miranda Leal e a esposa conseguiram que Marli ficasse presa por quase um dia para confessar o furto do dinheiro no Rio. Na ocasião Marli insistiu que recebeu de Saline R$ 38 mil para que R$ 20 mil fossem depositados em conta na cidade de Mandaguaçu (16 quilômetros a noroeste de Maringá), onde a doméstica mora com a família.
Para a assessoria jurídica da Igreja Só o Senhor é Deus, o dinheiro recebido por Marli revela mais um esquema de desvio promovido pela esposa do ex-missionário. Saline foi tesoureira da igreja durante quase os 25 anos em que Miranda Leal exerceu a presidência. O ex-missionário está fora de Maringá desde dezembro de 1999 depois do falso anúncio de arrebamento (volta de Jesus Cristo à Terra).
Miranda Leal e Saline respondem a ações cível e criminal por apropriação indébita de dinheiro e bens da Só o Senhor é Deus estimados em mais de R$ 6 milhões. Pela Justiça Federal a ação é por sonegação fiscal e crime contra o sistema financeiro.


