Ney de SouzaEmoçãoClaudinei conversa com o pai por telefone na Redação da FolhaO ex-menino de rua Claudinei Veríssimo de Oliveira, 21 anos, que perambulou por vários anos pelas avenidas de Foz do Iguaçu em busca de esmolas, conseguiu localizar a família depois de 15 anos de separação. Ele foi abandonado pela madrasta quando tinha 6 anos, na cidade de Sete Quedas (MS). A descoberta do paradeiro da família aconteceu depois que a Folha publicou reportagem sobre o caso.
O drama de Claudinei começou quando sua madrasta, Terezinha, o abandonou no cemitério de Sete Quedas.
Filho de casal separado, ele vivia com o pai, um caminhoneiro que trabalhava numa madeireira na cidade de Corpus Christi, no Paraguai, que só ficava em casa nos finais de semana.
No cemitério, a madrasta pediu que Claudinei esperasse a avó que iria buscá-lo. Cansado de esperar, ele deixou o cemitério e pegou carona com um caminhoneiro. Numa segunda carona, outro caminhoneiro que transportava soja o levou para o Paraguai. No país vizinho, conheceu Marta Silvério, que acabou adontando-o.
Ele chegou a ser registrado no Paraguai como Claudemir Silvério. ‘‘Sempre fui bem tratado na família, mas queria ver meu pai e irmãos’’, conta. Quando completou sete anos, escolheu Foz do Iguaçu para morar. Na fronteira, perambulou pelas ruas, pediu esmolas, guardou carros e experimentou todos os vícios comuns de menores abandonados.
Tempos depois, entrou no Serviço de Apoio a Menores (Servim) da Prefeitura de Foz do Iguaçu, onde estudou e aprendeu uma profissão, a mesma do pai. Hoje, com 21 anos, ele é madeireiro e está com vida estabilizada. Em fevereiro, pediu apoio da prefeitura e da imprensa para localizar os pais.
Ontem, 15 anos depois da separação, ele conversou por telefone, da sucursal da Folha em Foz do Iguaçu, com o pai, João Veríssimo de Oliveira, que mora em Cuiabá (MT).

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