Ney de SouzaClaudinei: ‘‘Só queria ver meu pai’’O ex-menino de rua Claudinei Veríssimo, 21 anos, que perambulou por vários anos pelas avenidas de Foz do Iguaçu, nunca conseguiu esquecer os laços familiares. Ele tenta reencontrar o pai, João Veríssimo de Oliveira, há 16 anos. O drama começou quando a madrasta dele o abandonou em um cemitério, na pequena cidade de Projeto Sete Quedas (MS), inundada depois pela formação do Lago de Itaipu, em 1982.
Hoje, com uma vida estabilizada, Claudinei mudou. Deixou as ruas e trabalha, mas não consegue esquecer da separação drástica. Ele conta que a sua madrasta, Terezinha, deixou-o no cemitério da cidade, pedindo para que ele esperasse a avó, que iria buscá-lo.
Cansado de esperar, ele deixou o cemitério e saiu em busca de uma carona. ‘‘Na hora, eu só queria ver meu pai’’, lembra. Um caminhoneiro, que lhe deu carona, fez com que desembarcasse em Salto del Guairá, na fronteira com o Paraguai e o Mato Grosso do Sul.
A alternativa para voltar ao Brasil era outra carona, mas foi em vão. Outro caminhoneiro que transportava soja lhe enfiou Paraguai a dentro. Ali, encontrou Marta Silvério, que o abrigou.
Sem família, Claudinei não ficou nessa casa por muito tempo. Marta até chegou a registrá-lo e a partir disso, Claudinei Silvério passou a ser o seu nome. ‘‘Mas não conseguia esquecer o meu pai e irmãos, apesar da bondade da senhora’’, conta. Aos sete anos, voltou a procurá-los.
Ele fugiu da casa dos pais adotivos e viajou para Foz do Iguaçu, onde foi atendido pelo Serviço de Apoio a Menores (Servim) até completar 16 anos.
O pai, separado da mãe, trabalhava como caminhoneiro numa madeireira de Corpus Christi, no Paraguai. ‘‘Sei que tinha uma irmã gêmea, chamada Claudinéia, e um irmão maior, o Wagner’’, lembra.
Na procura, lembrou de um tio que morava em Maringá. Conversando com uma senhora de idade, percebeu que detalhes de sua infância concidiam com a sua história. Mas o encontro foi frustrado. Ele foi expulso da casa por uma das pessoas que apareceram enquanto conversava e nunca mais teve contato. ‘‘O que mais queria era reencontrar a minha família’’, afirma. Agora, ele iniciou novas buscas. Quem tiver informações, pode ligar para (045) 523-2255 e pedir ramal 439.

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