Ex-menino de rua, atleta luta por patrocínio em Foz
O maratonista Robson Douglas da Conceição, 22 anos, morador de Foz do Iguaçu, pode ser considerado um vencedor. Ex-menino de rua, o jovem atleta já foi viciado em drogas, praticou furtos e hoje se dedica ao esporte, juntamente com os filhos de oito e quatro anos. Há seis anos atua como corredor e maratonista em dezenas de provas por todo o País.
Ele nasceu no Rio de Janeiro e foi menino de rua até os 17 anos. Com apenas 12 anos, quando já era viciado em cola de sapateiro, Robson decidiu tentar a sorte em Recife (PE). Rebelde, continuou vivendo nas ruas, chegando a ser pai aos 14, deixando a responsabilidade do filho Michael para a família da amiga que engravidou.
Foi quando conheceu as corridas, depois que um comerciante patrocinou a primeira prova. Ele acabou vencendo, mas não levou o prêmio. As pessoas que participaram disseram que era drogado e por isso não merecia o troféu. Foi aí que decidi parar com o vício e tentar a carreira de atleta.
No ano seguinte mudou para São Paulo, depois de seu amigo empresário bancar a viagem e a inscrição para a Maratona Paulista. Apesar de ter parado com as drogas, ele continuava nas ruas e praticava pequenos furtos para sobreviver. Em 95, conheceu Rosimeire ao roubar uma amiga dela. Ela era rica e estudava em colégio particular. Quando me viu roubando, ela me deu um sermão e disse que não tinha medo de mim.
Os dois viveram juntos, moraram no Canadá, voltaram para São Paulo e tiveram um filho, Rubiérico Kimbaster. Rosimeire morreu num acidente em 96 e Robson mudou-se para Foz do Iguaçu com os dois filhos. Hoje os três participam de competições e são mantidos pelos bicos que ele faz na cidade.
O corredor prefere participar de corridas e maratonas no interior do Brasil e de provas consideradas excêntricas. Hoje, por exemplo, ele corre no 2º Desafio de Rio Grande da Serra (SP), onde terá que percorrer 25 quilômetros em estradas rurais e irregulares (crosscountry). Meu projeto seguinte é estar na Corrida dos Degraus Banespa em julho. Lá os participantes precisam subir os 32 andares do edifício-sede do banco usando a escadaria, explicou.
Entre dezenas de provas por todo o Brasil, Robson destaca dez grandes maratonas concluídas e sete em que conseguiu chegar ao pódium. Meus filhos também gostam das competições e já ganharam vários medalhas nas categorias fraldinha e mirim.
Auxiliados por uma empresa de calçados e pela Transportadora Pluma de Foz, ele e Rubiérico Kimbaster, o caçula de quatro anos, vão estar na 14ª Corrida Rústica de Santa Helena, no próximo domingo. Estou novamente sem contrato, mas feliz por conseguir reunir todos aqui em casa. Depois de tudo que passei, acho que as coisas vão começar a dar certo pra mim.





