Josoé de CarvalhoMuitos planosJosé Pereira da Silva: objetivo é construir no local doado A Câmara de Vereadores de Londrina aprovou, na sessão de segunda-feira, autorização para que a prefeitura conceda um terreno de 42 mil metros quadrados, em regime de permissão de uso, à Associação de Moradores do Conjunto Habitacional Ruy Virmond Carnascialli (zona norte), que pretende contruir na área uma capela mortuária, um campo de futebol, duas quadras poliesportivas, uma piscina, campo para jogo de malha, um parque infantil e uma casa para a família que cuidaria do complexo.
Só há um problema: a área pretendida pela entidade não é a mais aconselhável para qualquer tipo de edificação, segundo parecer técnico encaminhado pela Autarquia do Meio Ambiente (AMA) à Câmara de Vereadores. Durante muito anos, a área foi utilizada como depósito de lixos sólidos diversos. ‘‘A área impactada pela colocação de lixo criou um maciço sem consistência (terreno fofo) não recomendável à construção de edificações’’, diz o diretor técnico da AMA, Mauro Maggi, no parecer. Há, portanto, risco de acidentes.
O projeto de lei para a concessão é de autoria do vereador Alvair de Souza (PL), e teve apenas dois votos contrários: os de Antonio Ursi (PT) e Elza Correia (sem partido). ‘‘Aquele terreno está abandonado pela prefeitura há 21 anos, sem utilidade alguma e colocando em risco a segurança dos moradores, com o matagal e a proliferação de insetos’’, justifica Alvair de Souza, que mora no Conjunto Ruy Carnascialli há cerca de 20 anos.
O autor do projeto de lei - que agora vai a sanção ou veto do prefeito Antonio Belinati (PDT) - comenta que o terreno do antigo Lixão já foi objeto de tentativa de invasão por famílias de sem-teto algumas vezes. ‘‘As invasões foram evitadas por ação dos moradores vizinhos, mas o risco continua existindo. Assim, é melhor que a associação assuma a área e construa nela algumas benfeitorias de utilidade para a população’’, diz Souza.
Animado com a aprovação do projeto pela Câmara, o presidente da Associação de Moradores, o aposentado José Pereira da Silva, mostra no papel os projetos das obras que pretende erguer no terreno. Ele não sabe precisar os custos do investimento, nem o tempo necessário para a construção. ‘‘Só a partir de agora, com a aprovação, é que vamos atrás dos detalhes’’, explica.
Segundo José da Silva, as despesas seriam divididas mensalmente entre as 550 famílias do conjunto. ‘‘Há também a possibilidade de conseguirmos algumas doações de entidades assistenciais da Alemanha e da França. Depois que o prefeito sancionar a concessão do terreno, vamos fazer os contatos’’, afirma o presidente da associação. Ele diz acreditar que as construções serão feitas em etapas nos próximos anos.
O diretor da AMA, Mauro Maggi, não está animado com a idéia dos moradores. Segundo ele, antes da aprovação de construções seriam necessários a execução de sondagens e ensaios no terreno por empresas de engenharia especializadas. ‘‘Eles avaliariam as condições da massa de lixo compactada, o processo de formação de gases, o grau de degradação da matéria e a profundidade em que se encontra o solo firme’’, argumenta Maggi. Sem isso - ele lembra - a segurança das obras poderá estar comprometida.
O vereador Antonio Ursi explica que votou contra a aprovação do projeto com base neste parecer da AMA e também porque considera muito grande o terreno concedido. ‘‘Não sabemos se já cessou o processo de formação de gases. Sem essa certeza, sempre existe o perigo de explosões, de um acidente que coloque em risco a segurança das pessoas’’, diz o vereador. ‘‘Além disso, considero um absurdo a Prefeitura doar para uma única entidade um terreno com quase dois alqueires. Acredito que a área deveria ser desmembrada em vários terrenos menores, para servirem a diferentes fins’’, ressalta Ursi.
Na opinião do vereador, a associação poderia ficar apenas com o espaço necessário para a construção do que for possível, depois de descartados os riscos de acidentes e de comprometimento das obras, e o restante do terreno deveria servir como área de reflorestamento e preservação ambiental.

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