Ex-investigadores têm novo julgamento
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sexta-feira, 07 de outubro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O segundo julgamento dos ex-investigadores da Polícia Civil Airton Adonski Júnior e Reinaldo Siduowski, acusados de envolvimento na morte do estudante Rafael Zanela, em 28 de maio de 1997, teve início ontem, no Tribunal do Júri de Curitiba. Ambos foram já foram julgados e condenados, em 1998, por co-autoria no homicídio, mas a 1 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) anulou a condenação, acatando recurso dos advogados de defesa. Eles haviam sido condenados a 38 anos e 21 anos de prisão, respectivamente. Na época, o estudante tinha 20 anos.
O julgamento é presidido pelo juiz Ronaldo Sansone Guerra. O júri popular é composto por cinco mulheres e dois homens. O início dos trabalhos do júri, na manhã de ontem, deu-se com o interrogatório dos réus, que negaram as acusações. No período da tarde, foi iniciada a leitura das peças do processo. São 26 volumes mais de 3 mil páginas. Os debates entre defesa e acusação última fase do julgamento, antes da definição da sentença devem começar as 9 horas de hoje. Não cabe mais recurso contra a decisão do júri.
O advogado de defesa de Adonski, Cláudio Dalledone Jr., sustenta o entendimento do TJ na anulação do primeiro julgamento de que não existe prova alguma da participação de seu cliente no crime. Antônio Augusto Figueiredo Bastos, advogado de Siduowski, também sustenta a negativa de autoria. ''Foi uma operação (policial) desastrosa, mas quem está pagando é a parte mais fraca'', reclamou ele, referindo-se ao ''descompasso no tratamento jurídico dos acusados''.
Apesar da anulação do primeiro julgamento, Adonski Jr. e Siduowski permaneceram presos, desde 1998, em razão dos ''crimes conexos'' de tortura psicológica, denunciação caluniosa e fraude processual. O autor do disparo que matou o estudante, um ex-informante da polícia, Almiro Schimidt, foi condenado a 38 anos de reclusão e, no seu caso, não houve recurso.
Há processo contra o delegado do 12º Distrito Policial (DP) à época, Maurício Fowler, que está na 1 Vara do Tribunal do Júri, ainda sem data marcada para julgamento.


