Ex-investigador ajuda dependentes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de junho de 2002
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Com a experiência de quem já se entregou ao álcool e a outras drogas, o ex-investigador da Polícia Civil A.M.S acredita que a maioria dos policiais que se tornam alcoolistas já têm uma predisposição para a dependência química. A profissão acaba acelerando esse processo pela facilidade de acesso e contato com as drogas. Para ele, o álcool acaba sendo a droga mais procurada por ser lícita e mais barata.
A constante pressão psicológica a que o policial está sujeito, revela A.M.S., também é um fator de grande peso para que ele use as drogas, lícitas ou não, como válvula de escape. A cobrança, a necessidade de manter a calma e a serenidade numa situação que para os outros é calamitosa, sem dúvida, contribuem para a busca pelas drogas. É uma maneira menos dolorosa de se destruir, relatou.
A.M.S. diz que há, ainda, o contato direto com bares, boates e favelas que colocam o policial no limite, fazendo com ele escolha pelo lado certo ou errado. Por isso alguns partem para a corrupção, outros para a violência ou procuram coisas novas como as drogas, declarou.
Investigador durante 10 anos, A.M.S. agora ajuda outros policiais a se recuperarem. Livre do vício desde o início de 2000, ele diz que chegou a um ponto que não tinha mais ambiente para trabalhar. Foi encaminhado então ao Centro de Atendimento Psicossocial, onde recebeu tratamento. Muda o protagonista, mas a história é sempre a mesma, disse A.M.S.. A minha ainda teve um final feliz.


