Ex-gerente da AMA confirma pressão para fraudar documentos
Da Redação
O ex-gerente de capina e roçagem da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Délcio Garcia Martin, prestou depoimento ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores, e reafirmou o que já havia dito ao Ministério Público: que foi pressionado por ex-diretores da autarquia para falsificar documentos que justificaram pagamentos já efetuados de capina e roçagem.
O depoimento de Martin pôde ser acompanhado pelos jornalistas. Ele entregou cópias dos depoimentos dados ao MP e uma fita cassete, resultado de grampo no seu telefone. A fita contém conversas com ex-diretores da AMA e falam em falsificações de planilhas para não dar diferença com notas fiscais já emitidas. Isso porque, segundo Martin, eles precisavam apresentar documentos ao MP comprovando os gastos.
Martin negou envolvimento nas fraudes. Em um trecho da fita, aparece o nome do deputado federal José Janene (PPB), mas não soube dizer em qual contexto. Questionado sobre a possibilidade de o deputado ser chamado a depor, o presidente da CEI, Antenor Ribeiro (PPB), respondeu: Se necessário, vou chamá-lo.
Durante o depoimento, Martin contou ainda que durante uma reunião, o ex-presidente da AMA, Mauro Maggi, teria comentado que havia uma dívida de campanha eleitoral, mas não mencionou nomes. Martin foi acompanhado do advogado César Bessa. A CEI investiga irregularidades na AMA e na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).
O MP, que também apura as irregularidades, ouviu ontem o diretor da Sistema Design Arquitetura e Urbanismo, de Curitiba, Cláudio Mena Barreto. O depoimento foi dado aos promotores Bruno Galatti e Solange Vicentin. Nem os promotores nem o empresário quiseram dar declarações. A empresa, vencedora de licitações na AMA e Comurb, é uma das investigadas pelo MP.
Ontem à tarde, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Lauro Zanetti, pegou junto ao MP cópias de documentos e depoimentos relativos ao caso. Ele informou que na segunda-feira será feita uma reunião com a diretoria para decidir se colocará a documentação à disposição da comunidade.





