Os 22 ex-garimpeiros do lixão de Londrina, retirados do local há um mês para trabalharem na separação de material recicláveis na Fazenda Refúgio, zona sul da cidade, reclamam que a situação deles é ‘‘desesperadora’’. Segundo afirmam, das 10 toneladas despejadas no local, apenas 400 quilos são aproveitáveis. O grupo relata que em 20 dias conseguiu obter apenas R$ 25,00. ‘‘Estamos passando necessidade’’, diz Edson Izaías. A prefeitura deu uma cesta básica para cada um.
Acostumado com a grande quantidade diária de lixo que manipulava no aterro sanitário, o grupo alega não ter condições de continuar na Fazenda Refúgio e quer voltar para o antigo lixão. ‘‘Quando o Sella (Wilson Sella, presidente da Companhia Municipal de Transporte e Urbanismo) tirou a gente de lá, disse que ia mandar 10 toneladas de material reciclável e que só teríamos que classificar. Mas o que chega aqui é lixo e com isso ninguém vive’’, afirma Adenilton Lopes.
Ontem o grupo estava inconformado com a situação e aguardava uma audiência com o prefeito Nedson Micheleti (PT), que estava sendo marcada através da vereadora Márcia Lopes (PT). Ela informa que hoje por volta das 12 horas irá com Sella conversar com os ex-garimpeiros. Quanto à conversa com o prefeito, Márcia Lopes diz que provavelmente será ainda hoje, às 15h30.
Além da pequena quantidade de material reciclável, o grupo está inconformado com o dinheiro conseguido em 20 dias de trabalho. ‘‘No lixão tirávamos até duzentos reais por semana’’, relata Edson Izaías. Maurício Dias afirma que já conseguiu ganhar até R$ 400,00 por semana quando trabalhava no lixão. ‘‘Nunca passei necessidade e hoje falta leite em casa para as minhas duas filhas’’, complementa Leandro Fernandes.
O grupo é praticamente unânime: quer voltar para o lixão. ‘‘Tínhamos uma vida boa e não precisávamos pedir nada. Hoje vivemos mendigando para a prefeitura’’, resume Adenilton Lopes. O pessoal foi retirado do aterro sanitário no dia 10 de junho. Muitos, como Adenilton Lopes, cresceram garimpando no lixão. ‘‘Comecei lá com 10 anos, hoje tenho 21’’, conta.
Ontem a Folha esteve no aterro sanitário e uma guarita foi colocada no local para fazer o controle de quem entra e sai. ‘‘Tiraram a gente de lá falando que teríamos um trabalho mais digno. O digno deles é a gente passar fome’’, diz Maurício Dias.
A proposta da CMTU aos ex-garimpeiros é a mesma feita aos outros catadores de lixo de Londrina: passar por um treinamento na Fazenda Refúgio e em seguida montar uma ONG ou associação de reciclagem.

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